Elisão Fiscal: como fazer para pagar menos impostos?

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4 minutos de leitura

Antes de falarmos diretamente sobre Elisão Fiscal, vamos procurar entender um pouco sobre a nossa complexa carga tributária brasileira.

Em 2019, segundo IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) que é quantidade de riqueza gerada internamente no Brasil, somou 7,3 trilhões de reais gerando para os cofres públicos, 2,7 trilhões de reais por meio de impostos.

Desta forma, a nossa carga tributária foi de 36,9% do PIB. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, se consideramos a equação entre carga tributária e retorno de bem estar para população, teremos a carga mais alta do mundo.

É oportuno enfatizar esse contexto da carga tributária, para ressaltar a necessidade urgente e constante da elisão fiscal para empreendedores e a sociedade de uma forma geral, uma vez que essa carga vem crescendo no decorrer do tempo.

O que é Elisão Fiscal?

Para se manter no mercado competitivo, a busca das empresas em reduzir custos, sobretudo tributários, requer a utilização de planejamento tributário que é um mecanismo contábil e jurídico importante nesse processo.

É exatamente aí que entra a história da Elisão Fiscal, uma ferramenta lícita para o contribuinte reduzir a carga tributária, procurando minimizar o pagamento de impostos dentro da lei.

Ela utiliza inclusive, lacunas existente na legislação tributária para em alguns casos se evitar o fato gerador do tributo, consequentemente seu pagamento.

Então, podemos concluir que elisão fiscal e planejamento tributário são praticamente sinônimos.

A elisão fiscal é a mesma que evasão fiscal?

Antes de responder se sim ou não, vamos entender primeiramente o que é a evasão fiscal. Ela é nada mais e nada menos que o ato de fraudar, de qualquer forma, o valor do tributo que se deve ao fisco.

Portanto, a evasão fiscal não está amparada por nenhuma lei e dificilmente vai poder se valer das lacunas que a legislação tem.

Dessa forma, respondendo a pergunta, podemos dizer que não! A elisão fiscal não é a mesma coisa que evasão fiscal. E para entender melhor, separei um exemplo que relaciona as duas atividades.

As empresas offshores são exemplos de Elisão ou Evasão Fiscal?

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Para identificar melhor essa diferença, podemos citar o filme “A Lavanderia”, em que narra a história de criação de empresas offshores como meio para sonegar impostos.

E o que significa esse tipo de empresa?

Offshores, que se traduz “fora da costa”, são empresas constituídas em países considerados “paraísos fiscais” com privilégios tributários. Conforme a Instrução Normativa nº 1.037/2010, são considerados paraísos fiscais os países que não tributam renda ou que tributam à alíquota inferior a 20%, ou ainda, que oponha sigilo relativo à composição societária das pessoas jurídicas ou à sua titularidade.

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O filme aborda de maneira crítica a utilização das offshores como forma de lavar dinheiro. O filme cita inclusive, a empreiteira Odebrech, que pagou mais de 3 bilhões de dólares de suborno a funcionários públicos em diversos países. O objetivo era obter vantagens em megacontratos, utilizando-as justamente para “lavar” dinheiro conseguido de maneira corrupta.

Da forma apresentado pelo filme, a criação das offshores são retratadas como prática evasivas, pois foram abertas com intuitos claramente ilícitos para sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, o que chamamos de evasão fiscal.

Contudo, será esse o aspecto na essência das empresas offshores?

Na verdade, as offshores são exemplos de planejamento tributário, utilizando como principal ferramenta o conceito de elisão fiscal, visto que constitui um direito das pessoas, sejam elas jurídicas ou físicas orientarem suas atividades e negócios para uma menor carga tributária possível.

Não é somente a carga tributária baixa o único fator para a utilização da offshore. Outros pontos devem ser analisados, como:

  • Estabilidade econômica e política, consequentemente moeda mais forte;
  • Isenções fiscais;
  • Impostos reduzidos sobre rendimentos
  • Liberdade de câmbio
  • Acesso a financiamentos internacionais com juros mais baixos;
  • Segurança, sigilo e privacidade dos negócios.

Portanto, as offshores não foram criadas para praticarem a evasão fiscal e sim a elisão fiscal. Porém, a forma como as atividades são realizadas é que vai dizer a real conduta e intenção da empresa. Essa análise vale para todo tipo de empresa.

Outros exemplos de elisão

Para entender melhor com outros exemplos de elisão fiscal, podemos citar o estudo para a escolha do regime tributário que mais favoreça a sua empresa, seja Lucro Presumido, Lucro Real, Arbitrado ou Simples Nacional. Esse é um tipo de planejamento tributário que deve ser feito anualmente de acordo com a realidade de cada empresa.

Digamos que sua empresa é de serviços e possui lucro inferior a 32%, que é alíquota de presunção de lucro no regime Presumido. Dessa forma muito provavelmente considerando apenas esse fator, seja mais vantajoso o regime de tributação Lucro Real ou até mesmo Simples Nacional, caso se enquadre na legislação específica desse regime diferenciado.

Esse é um exemplo bem simples, apenas para ilustrar um parâmetro de análise na hora de fazer planejamento tributário. Claro, que existem outras variáveis a serem consideradas, inclusive a tributação nesses regimes em relação ao PIS e à COFINS.

Atualmente, em vista de reforma tributária, esse planejamento se torna ainda mais iminente. Talvez com mudanças já esperadas em relação a unificação do PIS e da COFINS e seus devidos impactos, mas sobre esse assunto você pode ler em nosso blog o seguinte artigo.

A elisão fiscal quando é bem feita traz benefícios para a empresa

Então, diante do exposto, podemos entender melhor sobre a elisão fiscal como uma ferramenta lícita, ou seja, dentro da lei para reduzir ou até mesmo excluir o pagamento de imposto.

E que ainda, ninguém é obrigado a produzir fato gerador para propiciar maior arrecadação de tributos aos Estado, já que a Constituição Federal garante o direito à propriedade, à livre iniciativa e à legalidade aos contribuintes.

Vimos também que a offshore é instrumento legal de planejamento tributário e também de crescimento de negócios. O que não pode acontecer, conforme mostrado no filme é esse tipo de empresa ser utilizado para omissão de receita, sujeito à penalidades junto à Receita Federal.

Finalmente, não podemos aceitar que o fisco delimite a organização econômica e de negócios do contribuinte apenas pelo fato de recolher menos tributos por meio de um planejamento tributário lícito, pois isso fere a liberdade econômica privada.

Espero que você tenha gostado de entender mais um pouco sobre elisão fiscal. Se tiver ficado alguma dúvida, deixe nos comentários.

Até a próxima!

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