Gestão de pessoas

Storytelling para Gestão de Pessoas: uma ferramenta para engajamento de colaboradores

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Escrito por Isabel Holanda
Atualizado em: 07/08/2018 Tempo estimado de leitura: 10 minutos

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Como uma boa história – inclusive a sua – pode impactar os setores e os negócios da sua empresa? Neste artigo, trago vários insights e ações de storytelling para gestão de pessoas, aplicando em sua empresa e engajando ainda mais seus colaboradores.

Por isso, te desafio: já parou para pensar que a maioria de nós consegue lembrar, por muito mais tempo, de uma história ou causo que marcou do que de dados importantes do seu dia a dia, como um resultado de um exame ou assuntos específicos que foram falados em reunião importante!?

Se concordou, é porque você já sabe o poder que tem uma boa história. Na verdade, a pergunta que te fiz já é comprovada, pois as histórias estimulam a memória, a criatividade e imaginação. Muitas empresas já descobriram o poder do storytelling e da contação de uma boa história, porém aplicando para a geração de engajamento e a memória afetiva das pessoas.

Estamos falando de uma técnica que a cada dia se torna mais conhecida e utilizada. Agora, difundida também por outras áreas das empresas, o storytelling para gestão de pessoas tem ajudado, principalmente ao setor de RH, a moldar cenários e transformar resultados.

O que é Storytelling?

Você já deve ter ouvido falar sobre esse termo em algum momento, a tradução nada mais é que a habilidade de se contar histórias de forma engajadora, utilizando os recursos possíveis como, imagens, áudios, vídeos, desenhos e sempre com um conteúdo relevante, que envolva as pessoas.

A utilização e aplicação desse recurso iniciou com o marketing, sendo utilizado como técnica de comunicação de suas marcas ou produtos com o objetivo de tornar o seu público alvo mais próximo ou engajado para o consumo.

Esse recurso tem trazido resultados tão impactantes que sua atuação tem chegado até as empresas, instituições de ensino e vários outros negócios.

Agora, não somente com esse viés de venda, mas o de envolver as pessoas em uma causa, mudança de comportamentos e implementação de uma cultura organizacional mais próxima.

Se esse recurso for bem aplicado os resultados dele para ajudar no engajamento dos colaboradores é certeiro. O pesquisador Jonathan Gottschall, autor do livro “The Storytelling Animal: How Stories Make Us Human”, explica que a mente humana é andarilha por natureza e sempre que não possuir algo importante para fazer, ela irá divagar em pensamentos e histórias.

Podemos concluir que nossos instintos nos levam a estar sempre buscando, em nosso imaginário inconsciente, uma conexão que pode ser feita por histórias. Para o professor de marketing e pesquisador Keith Quesenberry, “As pessoas são atraídas por histórias, porque somos criaturas sociais e nos relacionamos com outras pessoas”.

Como desenvolver o storytelling?

Você pode pensar: “Então, é só contar uma história que vou conseguir engajar as pessoas, simples assim?”. Claro que não! A primeira e mais relevante informação que você precisa saber é: quem é seu público alvo, qual a necessidade que você precisa desenvolver e qual a melhor maneira para apresentar essa ideia em forma de storytelling.

Iniciar com essas informações básica é o primeiro passo para aplicar esse recurso. Quando o nosso cérebro ouve uma boa história, ele se comporta como protagonista e procura se identificar com o que está sendo contado.

Se você assistiu qualquer filme que se identificou, inconscientemente, você já deve ter se identificado com o protagonista ou antagonista e com a árvore sem sentimentos.

Assim como nos filmes, somos atraídos por uma boa contação de história desde pequenos. Por isso, essa técnica é tão eficaz, encanta e ganha a atenção dos espectadores.

Quer um exemplo? Veja só essa campanha de uma marca de açúcar e a conexão que ela faz com as nossas histórias:

1) Conheça sua persona

As empresas estão entendendo que, para a divulgação de seus produtos para o grande público, é preciso ter uma história como plano de fundo. Neste caso, o vídeo não apresentou estatísticas ou informações técnicas do seu produto confirmando que é o mais utilizado ou recomendado por grandes confeiteiros. Simplesmente, contou-se boas histórias.

Por isso, conhecer o seu público alvo é tão importante, na propaganda que vimos a empresa quer falar para as famílias e associar sua marca a momentos do dia a dia. Fará uma diferença enorme na sua abordagem saber dessa informação.

2) Colete informações com seus colaboradores

Crie o modelo de personas, faça com ajuda da área que você quer trabalhar. Estude os hábitos desses colaboradores e converse com as pessoas para levantar esse perfil de seu público.

Se você quer criar um storytelling, por exemplo, para engajar pessoas a participarem de treinamentos técnicos, converse com alguém que já participou e percebeu que melhorou.

Valide a informação com a liderança e crie um roteiro com algumas tomadas, mostrando que ele é uma pessoa como as outras. Ou seja, com as mesmas necessidades e tempo corrido, mas que a sua vida no trabalho melhorou depois que ela teve acesso as informações discutidas no treinamento.  

Prontinho, com esse roteiro você já pode fazer um storytelling e engajar as pessoas a participarem mais dos treinamentos. Lembre-se das conexões que falamos pela contação de uma história real, pois fica mais fácil de assimilar.

A química do Storytelling

Para que você entenda melhor, assistir a uma história produz em nosso cérebro conexões sinápticas tornando-se um recurso poderoso que traz uma forte resposta neurológica.

Nosso cérebro reage de várias maneiras a essa construção. Em momentos tensos de uma história, nossos cérebros produzem o hormônio do estresse -o cortisol -, o que nos permite dar um foco maior naquela cena. Isso acontece quando assistimos dramas e suspense, por exemplo.

A utilização de “coisas fofas”, como animais, criancinhas, histórias emocionantes de superação ou até mesmo bom-humor, liberam oxitocina, substância que promove a conexão e a empatia. E, quem não gosta de final feliz em histórias, que atire a primeira pedra!

Claro que, a maioria de nós, gostamos e esperamos por isso. O nosso cérebro também. Existem pesquisas neurológicas que afirmam: um bom final feliz para uma história desencadeia em nós o sistema límbico. O centro de recompensa do nosso cérebro e libera a dopamina que nos faz sentir mais esperançosos e otimistas.

Em nosso dia a dia somos quase bombardeados desse tipo de recurso que é muito utilizado em comerciais, separei para você um exemplo de uma história bem estruturada de uma empresa de bebidas.

Ele traz um enredo que não é habitual para esse tipo de negócio. Com certeza, quando se pensa em cerveja, lembramos do estereótipo de belas mulheres aproveitando a vida em um barzinho ou praia.

Porém, essa empresa resolveu quebrar essa “resposta programada” e abordou a história de um abrigo de cãezinhos, onde um de seus cãezinhos é adotado e separado de seu amigo. Confira o vídeo: 

Estrutura: como aplicar o Storytelling para Gestão de Pessoas?

Lembram que falamos mais acima sobre você conhecer as personas das quais quer atingir!? A primeira coisa que você precisa fazer é realizar esse levantamento, desenhando o perfil ideal com quem sua empresa quer conversar e abordar. 

Após ter criado a sua persona, será necessário cuidar da criação do roteiro para a construção da história. Veja o Manual prático para Storytelling para que possa fazer o melhor vídeo engajador para a sua empresa com dicas para uma gravação de sucesso, equipamentos necessários e modelos de roteiro. 

Uma das estruturas básicas que vou deixar como exemplo é a do”passado, presente e futuro”. Se fossemos montar um roteiro para a história do nosso colaborador, que se dispôs a gravar uma história de como sua vida no trabalho melhorou após participar do treinamento, seria mais ou menos com a seguinte estrutura:

Passado:

O roteiro deveria constar um pouco sobre sua rotina de vida, quem ele é, como se relaciona com sua família;

Presente:

Qual setor ele trabalha, como era a sua vida e sua rotina e as dificuldades do dia a dia. Nessa continuação apresentaria o treinamento do qual ele participou que o ajudou a melhorar suas rotinas.

Futuro:

O que ele espera depois dessa formação e como isso pode fazer com que ele cresça, ou fique mais feliz ou tenha mais tempo para família. Vai depender do enfoque que você quer dar.

É simples como já havia dito, mas o enredo é a parte criativa que vai atrair as pessoas para o envolvimento no qual você deseja. Imagine uma pessoa boa para contar histórias, ela sabe estruturar toda a contação até levar você ao ápice. 

Também é preciso nos preocuparmos com o significado emocional que você irá querer associar nesse enredo, no caso que estamos falando será o de aumentar o engajamento dos colaboradores aos treinamentos e ajudá-los a entender a importância da teoria à prática do dia a dia.  

Subsistemas de aplicação do Storytelling para Gestão de Pessoas  

Praticamente quase todos os subsistemas de RH podem se beneficiar com o Storytelling, veja alguns exemplos que separei para você:

Recrutamento e Seleção: 

Divulgar, atrair, recrutar e selecionar bons candidatos sempre foi algo que leva tempo e muitas vezes em vagas muito específicas o primeiro pensamento é, onde mais posso divulgar, como atrair mais pessoas?

Pense em construir uma história curtinha da empresa, apresente uma narrativa do cargo que existe em aberto, mostrado as vantagens e benefícios de se trabalhar ali. Aproveite as mídias sociais para essa divulgação, mas lembre-se sempre do foco de quem você quer atrair.

Treinamento e Desenvolvimento:

É claro que não será o storytelling que vai resolver todos os “problemas do mundo”, mas estamos falando de mais um recurso para nos ajudar a atingir nossos objetivos estratégicos e a capacitação dos colaboradores é um dos objetivos estratégicos de grande relevância para as organizações. 

Ao invés de apenas um convite formal na agenda, crie uma história com algum colaborador que já tenha participado de uma capacitação e o que ele conseguiu superar. Ao final, chame as pessoas a participarem, lembram das conexões sinápticas e do exemplo que analisamos no texto acima?

Você poder ter um número muito maior de engajamento se utilizando de vários recursos. Veja alguns deles:

Endomarketing: 

A comunicação interna pode ser muito mais atrativa quando a equipe pode envolver os recursos disponíveis como imagens, vídeos e histórias. Repassar valores, trabalhar a divulgação de todas as informações pode e deve ficar mais leve e envolvente.

Clima Organizacional:

Oferecer ao colaborador a principal razão de existir e propagar a cultura organizacional são desafios para a área. Trouxe para vocês um exemplo do que pode ser feito.

Há alguns meses,  observei que em um dos setores que eu gerenciava havia um movimento onde as pessoas não se via como parte de um todo ou até mesmo de todos os benefícios que tínhamos para eles.

Eu precisava aumentar o orgulho de pertencer aquele lugar/setor e a empresa, o storytelling me ajudou a construir um projeto. Criamos uma série de vídeos onde publicamos e divulgamos quinzenalmente a história de um de nossos colaboradores. Dá uma conferida em como ficou:

Viu, só!? São muitas ações, mas que, se bem estruturadas, podem ser modificadoras e fazer uma profunda diferença no seu setor ou na sua empresa. Acredite, com minhas experiências, tem dado ótimos resultados.

Gostou das dicas? Então, veja a continuação dessas ações na prática no artigo em que falo sobre storytelling estratégico. Nele, dou dicas essenciais para aplicar nas empresas. E não esquece de deixar seu comentário com dicas e mais sugestões de temas aqui em embaixo do texto.

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Sobre o autor

Isabel Holanda

Há mais 10 anos atuando na área de gestão de pessoas, atualmente, é gerente de conteúdo na Fortes Tecnologia. Graduada em Pedagogia pela UFC, com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Além disso, é palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

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