Gestão de transporte

Perfil comportamental do motorista: como contratar os profissionais certos para sua empresa

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Escrito por Isabel Holanda
Publicado em: 09/03/2020 Tempo estimado de leitura: 13 minutos

Você já passou pela experiência de ter que comprar algo, mas sem saber qual o número, cor ou estilo do que está comprando e que seria ideal para você?

A analogia parece um pouco esdrúxula, mas contratar sem conhecer o perfil comportamental do motorista e experiências que ele tenha vivenciado poderia ser comparado com essa mesma situação: estar às cegas com o que você terá em sua empresa.

O que você precisa saber para contratar

Contratar sempre foi uma das principais dificuldades dos gestores. Agora imagine que você precisa fechar vagas em aberto para motoristas de transporte urbano ou rodoviário, onde a principal missão desse colaborador será conduzir pessoas de várias idades, com vários destinos e necessidades.

Sabendo desse desafio, gostaria de falar um pouco sobre o que você precisará ficar atento no momento da contratação de um motorista.

A primeira coisa a se preocupar é ter a consciência de que selecionar alguém despreparado ou irresponsável pode causar um grande dano para o negócio e para imagem de cuidado com as pessoas.

Qual é a definição de um motorista profissional?

Podemos definir que motorista profissional é o trabalhador que exerce sua atividade profissional na condução de um veículo rodoviário, sendo delimitado por direitos e responsabilidades inerentes à profissão.

Um bom motorista é reconhecido pelo tipo de condução que ele realiza com o veículo, sempre com perícia, zelo e observância aos princípios da direção defensiva. Em síntese, estes são deveres de qualquer motorista profissional.

Em contrapartida, cabe ao empregador fornecer os recursos necessários para o exercício da sua atividade. Ou seja, treinamento e capacitação profissional, veículos bem manutenidos e remunerações adequadas.

Qualquer pessoa pode transportar pessoas?

É interessante ressaltar que a responsabilidade de dirigir e, principalmente, de cuidar do patrimônio da empresa não é para qualquer um. Os investimentos realizados e a imagem do negócio estarão em jogo sempre que o veículo estiver rodando.

Naquele momento não é mais João ou Pedro, trata-se de um ônibus da empresa X ou Y. Essa será a marca apresentada nos fatos do que acontecer.

Erros e falhas podem representar um prejuízo que vai muito além do aspecto financeiro. A empresa pode perder credibilidade no mercado e ver o trabalho de anos ir por água abaixo.

Entretanto, é preciso deixar claro que a contratação de motoristas não é uma tarefa simples. Os veículos estão cada vez mais tecnológicos e a falta de capacitação e qualificação profissional é recorrente em muitos candidatos.

Conheça os requisitos para a seleção de profissionais do volante

Abaixo, você vai ver o que é preciso para selecionar profissionais capacitados para sua empresa. Tenha os melhores motoristas do mercado com essas dicas:

Capacitação do profissional

O histórico desse candidato pode dizer muito sobre sua forma de conduzir e trabalhar.

Observar a CTPS para analisar as experiências vivenciadas por essa pessoa pode ser o início de tudo. Pedir referências e analisar o que é dito em entrevista pode ajudar a mapear o perfil comportamental do motorista.

Não deixe também de aplicar testes práticos sobre direção defensiva, legislação de trânsito, forma de condução econômica e mecânica básica.

Esses aspectos serão fundamentais para a durabilidade do veículo, para o cumprimento dos prazos da empresa e para evitar multas e infrações.

Avaliar a pontuação na carteira e solicitar um atestado de antecedentes criminais também é fundamental para a contratação de um bom profissional.

Experiência do candidato

Quando falamos sobre experiência, tendemos a enxergar apenas a questão da quilometragem percorrida. Embora isso seja algo muito relevante e necessário, existe outro ponto que precisamos estar atentos: a evolução tecnológica.

Estamos vivenciando um período de automatização em tudo, inclusive nos veículos.

Assim, é cada vez mais comum encontrar automóveis com GPS, freios ABS, parametrização do câmbio automatizado, compressor de ar do motor com otimização de energia, sistema de desligamento automático do motor. E o que o RH tem a ver com essa modernização? Tudo!

Todos esses itens são pensados para reduzir e mitigar uma das principais preocupações dos proprietários das empresas de transporte que é a redução de custo com combustível.

Só no ano de 2017, a Mercedes-Benz lançou mais de 16 novos itens tecnológicos em seus ônibus.

Dessa maneira, é essencial que o profissional saiba operá-los, simplificando o trabalho, o tempo de adequação a essas novas tecnologias e, principalmente, evitar qualquer tipo de inadequação enquanto este está na direção do veículo.

Se um profissional tiver uma alta quilometragem rodada no currículo e estiver familiarizado com as novas tecnologias, sua contratação tem grandes chances de ser bem-sucedida.

Interesse pela empresa

Independentemente do ramo de atuação, os recrutadores sabem o quão difícil é encontrar profissionais que estejam realmente interessados pela atividade-fim do negócio e, principalmente, que queiram permanecer na empresa por muito tempo.

Políticas de retenção e valorização das pessoas são de suma importância para evitar alta rotatividade de profissionais e, consequentemente, altos gastos com contratações, treinamentos e desligamento de colaboradores.

Por isso é importante que, durante o processo seletivo, você explique com o máximo de detalhes possível as atribuições e responsabilidades do cargo, evidenciando o tempo que o profissional deverá ficar longe de casa e outros desafios exigidos pela função.

Nós falamos tanto de fit cultural e muitas vezes esquecemos que, para atrair as pessoas que queiram ficar conosco, precisamos revelar quem realmente somos como organização.

Além disso, crie mecanismos para avaliar o período de experiência desse novo contratado, verificando a vontade do profissional e sua compatibilidade com a cultura da empresa. É assim que se cria uma relação de trabalho duradoura.

Pontualidade

Outro ponto importante que deve ser avaliado em um processo de contratação para motoristas é a pontualidade.

Imprevistos acontecem e podem fazer parte desse momento, mas a forma como esse candidato se comporta sobre a questão de pontualidade e a maneira como ele se programa para evitar imprevistos e contratempos comuns no trânsito farão diferença.

Uma dica interessante para abordar no processo seletivo é saber se ele tem costume de se informar sobre o trânsito na cidade e as condições climáticas, por exemplo.

Perfil comportamental do motorista

O processo de seleção e contratação de um motorista deve levar em consideração as aspirações profissionais, o tipo de formação, o perfil psicológico e suas características pessoais.

Com base em tudo o que já conversamos até aqui, é fato que o perfil profissional do motorista no dias atuais é bem diferente do que víamos anos atrás.

É preciso ter uma série de habilidades e comportamentos diferentes dos exigidos no passado, habilidades de relacionamento intra e interpessoal, habilidades com novas tecnologias, pontualidade, organização, autoconsciência do papel e da missão dele em transportar vidas, empatia e várias outras skills que farão toda a diferença no momento da contratação.

Se tiver que optar, escolha pessoas empáticas. Elas têm uma habilidade inata de se colocar no lugar do outro e serão colaboradores que terão menos ocorrências negativas e farão o que precisa ser feito, desde chegar no horário para cumprir sua rota quanto socorrer uma pessoa que está precisando ou oferecer um bom dia com sorriso a todos que ele conduz.

Ter ciência de quais são os principais desejos do trabalhador é imprescindível para saber como contratar um motorista. Dessa forma, é possível ter certeza de que o candidato se encaixa na vaga que está sendo oferecida, garantindo que as expectativas em relação ao salário e ao crescimento profissional estejam de acordo com a realidade.

Uma dica que posso compartilhar seria buscar conhecer um pouco mais sobre a vida pessoal do candidato. Em entrevistas, pergunte se ele tem filhos pequenos, por exemplo, e veja como ele lidaria com a ideia de passar longos períodos longe das crianças.

O objetivo realmente é essa vaga ou é apenas um trabalho para pagar as contas enquanto nada melhor aparece?

Outro questionamento importante se dá em relação ao consumo de álcool e drogas e o comportamento agressivo no trânsito.

Essas situações devem ser avaliadas, uma vez que o candidato escolhido será responsável pela imagem de sua empresa nas ruas. A realização de um exame toxicológico, por exemplo, pode ser de grande valia.

Responsabilidade

Sabemos que quem está no trânsito está suscetível a acidentes, mas um profissional deve ter responsabilidade sobre seus atos. Caso existam outros envolvidos em um acidente, o custo será de sua empresa.

Chamar socorro como o SAMU ou o Corpo de Bombeiros, por exemplo, é uma atitude responsável e que mostra que o motorista, por mais que esteja errado, está preocupado com a situação das outras pessoas.

Por isso, é importante que o RH tenha o cuidado de oferecer sempre capacitação sobre direção defensiva, como lidar com situações de crise, orientando o motorista como deverá conduzir a situação e a quem ele deve pedir socorro.

Lembre-se: a responsabilização por um acidente pode representar uma repercussão negativa, mas a omissão de socorro é ainda mais prejudicial para o seu negócio.

Alguns cuidados para as etapas do processo seletivo

Agora você vai ver o que é preciso tomar cuidado na hora de selecionar os motoristas da sua empresa.

Triagem

Sabemos que a realidade do dia a dia para o fechamento das vagas para essa função sempre exigem dos profissionais de RH rapidez e a pressão é uma realidade constante.

Todavia, detalhes importantes como comprovação de experiência, escolaridade e documentação pessoal solicitada são imprescindíveis para esse processo. Imagine que você está contratando alguém que lidará com vidas todas os dias.

Planejamento do pré-teste ou teste prático

É importante que a empresa tenha um local adequado para a recepção dos candidatos e os recursos necessários para que a execução do teste prático seja realizada.

Aplicação do teste prático

Consiste na operação do veículo em um período urbano e/ou rodoviário pré-determinado, em condições normais de trânsito.

É realizado com um número limitado de candidatos. Cada um tem a oportunidade de demonstrar seu desempenho em um tempo hábil de se avaliar seu perfil técnico. Exceto aqueles que demonstrarem em pouco tempo um comportamento de grande risco.

O pré-teste deve ser aplicado por um ou dois examinadores, devidamente treinados e preparados, onde um ou ambos têm a função de observador/avaliador.

Sendo dois examinadores, um deles, além de observador e avaliador, atuará também como interventor frente às operações de risco ocasionadas pelo candidato e orientará o itinerário.

Fatores de avaliação do pré-teste

  • condução do veículo;
  • respeito à legislação de trânsito;
  • postura do profissional;
  • nervosismo, tensão, medo, ansiedade, apatia.

Postura do examinador

  • o examinador precisa ter uma postura ética;
  • deve evitar “pegadinhas”. Situações propositalmente difíceis ou constrangedoras não contribuem para o objetivo da seleção, que é escolher o melhor candidato;
  • o examinador precisa ser empático e colocar-se no lugar do candidato, a fim de facilitar que o seu melhor desempenho ocorra na situação do pré-teste.

Formulário de Avaliação no pré-teste

O ideal é que o examinador possua um checklist ou formulário de avaliação com critérios e características claras para avaliação. Importante avaliar itens técnicos e comportamentais, como:

  1. Saída com o veículo
  2. Instrumentos de comando (painel)
  3. Utilização e ajustes de espelhos retrovisores
  4. Rotação segundo o torque do motor
  5. Troca de marchas e reduções de velocidade
  6. Baliza
  7. Marcha à ré
  8. Domínio do veículo na via
  9. Percurso
  10. Tipos de ultrapassagem
  11. Mudança de direção
  12. Respeito às preferenciais
  13. Respeito à sinalização
  14. Interação no trânsito com as demais pessoas (ciclistas, motociclistas, pedestres, carros)

Crie uma escala com pontuação ou categorias como bom, regular e ótimo.

Assim que esse candidato for selecionado, você precisará se preocupar com a próxima etapa que é a de realizar uma avaliação dentro do período de experiência.

Avaliação de Desempenho no período de experiência

Após a contratação do candidato mais apto, o RH precisará ter em sua rotina de gestão uma avaliação do desempenho desse novo colaborador.

Caberá ao gestor de frota ou de manutenção, isso variará de acordo com cada empresa, criar o melhor ambiente para o recebimento deste colaborador.

Apresentar a empresa, os equipamentos, a equipe de colaboradores do setor é tão importante quanto avaliá-lo nos próximos dias.

O que é avaliação de desempenho no período de experiência ?

Avaliação de desempenho é uma ferramenta de gestão de pessoas que visa analisar o desempenho individual ou de um grupo de funcionários em uma determinada empresa e em um determinado período.

Embora legalmente a empresa tenha 45 dias para avaliar o colaborador, com uma possível prorrogação de mais 45 dias, algumas empresas adotam períodos já pré-estabelecidos como 30, 60 e 90 dias para avaliar esse novo colaborador.

O objetivo é identificar pontos fortes e pontos a desenvolver. E, após isso, traçar planos de desenvolvimento focados nos gaps identificados.

A seguir, confira alguns itens importantes a serem avaliados:

  • Capacidade de fazer uma manutenção básica: esse motorista precisará estar preparado para, em casos de emergência, saber como trocar um pneu furado, fusível, lâmpada e fluidos. Outra habilidade muito importante que esse motorista precisará ter é a capacidade de realizar um diagnósticos básico para que ele seja mais assertivo ao repassar para equipe de mecânica.
  • Habilidade interpessoal: essa habilidade é importante e precisa ser sempre melhorada, afinal, seus motoristas passarão grande parte do seu tempo tendo que lidar com pessoas durante as viagens.
  • Automotivação: O motorista deve ser confiável e sentir-se motivado. Capacidade de organização também se enquadra nesta categoria.

E para concluir

O segmento de transporte atualmente busca produtividade máxima com custos mínimos.

Sabemos que isso não é tarefa fácil e é por isso que dedicar um tempo maior ao planejamento, desde a triagem até o momento de acompanhar esse novo colaborador, bem como reciclar os colaboradores que já ocupam esse cargo, é de suma importância para a subsistência do negócio.

Empresas que trabalham com a avaliação de desempenho e conseguem automatizar esse processo com um software, possuirão os argumentos essenciais para constatar a produtividade do seu motorista e como ele está contribuindo para o alcance dos melhores resultados estratégicos da empresa .

Portanto, envolver as lideranças operacionais (da frota ou manutenção) para acompanhar esse processo, desde a captação do profissional no mercado, avaliação do desempenho nos testes teóricos e práticos para a admissão e principalmente depois de contratado, pode ser um diferencial para o seu negócio.

E se você gostou deste artigo, não deixe de baixar nossa Planilha de Gestão de Combustível para frotas de veículos.

Sobre o autor

Isabel Holanda

Há 14 anos atuando na área de gestão de pessoas e apaixonada por gente, exercendo função de Head da Fortes Academy na Fortes Tecnologia, graduada em Pedagogia pela UFC, MBA em Gestão de Pessoas pela Estácio, Especialista em Neuropsicopedagia pela Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto, Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC), Analista Comportamental DISC pela SLAC e Youtuber nas horas vagas. Atuou como consultora na área de implantação de softwares para RH , gerencia projetos voltados para educação corporativa para a Fortes Tecnologia, idealizadora da websérie "Porque a vida me fez Fortes", autora de vários artigos para área no blog da Fortes Tecnologia, palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes e docente.

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