Gestão de pessoas

Mindfulness: o que é e porque as empresas estão aderindo a essa técnica

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Escrito por Isabel Holanda
Publicado em: 05/03/2020 Tempo estimado de leitura: 11 minutos

Você alguma vez já ouviu a palavra mindfulness, sabe o que quer dizer ? Tudo começou quando o médico novaiorquino John Kabat-Zinn introduziu técnicas de meditação ao seu trabalho, utilizando-as com pacientes que apresentavam estresse e dores crônicas causados por doenças.

Os resultados apresentaram efeitos extremamente significativos, o que desencadeou estudos mais amplos a essa prática aplicada a várias circunstâncias, inclusive no ambiente de trabalho.

O que é mindfulness?

A palavra vem do latim “meditare” e significa desligar-se do mundo externo e voltar-se para dentro , para o seu próprio centro. Reforçando a importância e o espaço de se viver o momento atual, cultivando a paz interior – sentida por seus praticantes. A técnica é milenar e oriental, mas tem sido utilizada amplamente no ocidente em diversas organizações.

A ideia de Jon Kabat-Zin que define como “A consciência ou estado mental que surge ao se prestar atenção, de forma intencional, à experiência ou fenômeno presente, sem julgá-la, criticá-la ou reagir a ela”. E a visão de Scott Bishop que afirma que a prática é uma “regulação intencional da atenção, focada na vivência imediata”, uma “orientação para a experiência, caracterizada por curiosidade, abertura e aceitação”.

Falar em meditação nas empresas parece algo contraprodutivo para muitos, afinal, quem tem tempo para parar e observar sua respiração com tanta coisa a se fazer não é mesmo? Mesmo se o seu pensamento não for de descrédito, você pode estar pensando: mas para meditar preciso ser budista?

É perda de tempo?

Me permita, então, “acabar” com suas crenças que podem ser limitantes quanto a este assunto e dizer-lhe que não tem a ver com nenhuma das duas interrogações que fiz acima. Você com certeza conhece esses dois nomes, Bill Gates e Steve Jobs, pois esses dois empresários, conhecidos por otimizar tempo, realizar entregas assertivas e com qualidade, com ideias disruptivas, uma vez chegaram a revelar que praticavam a meditação mindfulness para se manterem mais focados e produtivos. Essa prática permite uma maior concentração com exercícios que trabalham a mente.

Preciso me tornar budista para praticar?

Ao contrário do que muitos acreditam, a meditação mindfulness não tem ligação religiosa. Na verdade, ela foi e é desenvolvida com apoio na ciência.

Desde a aplicação dessa técnica pelo dr. John Kabat-Zinn, a meditação e a chamada “Atenção Plena” vêm sendo motivo de pesquisas e conquistando cada vez mais espaço, tanto na saúde quanto nos ramos profissional e pessoal.

Por que devo meditar?

Os benefícios têm sido comprovados em muitos estudos científicos, tornando mais evidente o poder desta simples atividade sobre o corpo, a mente e as emoções.

Os ganhos são diversos, sem contar que aumenta a concentração, foco, criatividade e produtividade.

A ação de meditar é capaz de gerar um grande aumento na qualidade de vida dos funcionários, bem como no seu desempenho no trabalho. Em um mundo cada vez mais veloz, de rápidas mudanças e pouco tempo para tudo, investir em meditação tem trazido ganhos significativos para quem pratica.

Além dos benefícios citados acima, a Meditação pode proporcionar :

  • diminuição significativa do estresse;
  • trata de forma natural a ansiedade e depressão;
  • ajuda na liberação de hormônios do bem-estar no organismo como serotonina e oxitocina;
  • melhora a saúde física;
  • aumenta a tolerância à dor;
  • amplia a capacidade do sistema imunológico e aumenta a longevidade;
  • traz clareza mental;
  • maior compreensão das próprias emoções e pensamentos;
  • aumento de emoções positivas;
  • propicia o autoconhecimento;
  • acalma a mente e aumenta o foco no presente;
  • amplia a compreensão dos próprios pensamentos sem fazer julgamentos ou juízos de valor sobre eles;
  • melhora a criatividade;
  • turbina o desempenho do cérebro, que atua em alta performance;
  • não requer alto investimento e nem muita estrutura física.

Como meditar dentro da empresa?

Com o passar do tempo, trabalhos com alta cobrança para entrega de resultados, reuniões morosas e desgastantes e a necessidade de bater metas pode ser uma realidade extremamente estressante e cansativa para os colaboradores de uma empresa.

Ambientes com essas características tendem a ter mais pessoas irritadas e tensas, e isso afeta diretamente a saúde e a produtividade no ambiente de trabalho. E o efeito desse cenário é quase que em dominó, a empresa cobra, os gestores transmite aos demais colaboradores sua tensão e as relações entre todos podem se tornar bem desafiadoras.

Em cenários como este, o nível do hormônio do estresse – cortisol, aumenta e as tomadas de decisão pioram, assim como a resolução de problemas, comprometendo não só a saúde da empresa, mas também dos funcionários. Porém, com a presença da meditação, tudo isso pode ser reduzido e até revertido com baixo investimento.

Steve Jobs e Bill Gates chegaram a declarar que a Meditação Mindfulness, os mantinham mais focados e produtivos em suas atividades.

Atualmente, algumas grandes empresas como Google, Facebook, Apple, Vivo e Intel declararam que também se utilizam dessa técnica e vêem o quanto a Meditação é benéfica tanto para os funcionários quanto para a melhora dos resultados das empresas.

O que você precisa para implementar o Mindfulness em sua empresa?

Espaço

Não precisa de muita coisa, mas você precisará dispor de um ambiente silencioso e que tenha espaço para todos que quiserem participar.

Pode ser, por exemplo, a sala de reuniões da empresa. É importante que os praticantes possam participar independentemente da roupa que estiverem usando. Você pode usar tapetes, cadeiras etc. O que precisa é que eles se sintam confortáveis durante a meditação.

Salas com vidro, abertas ou com entrada frequente não é o mais recomendado, todos precisam estar livres de distrações e ruídos. Ter elementos que remetam à natureza podem criar um espaço ainda mais propício para a Meditação, como fonte com água, pedras e/ou plantas.

Tempo

Não é preciso muito tempo para a prática, ao contrário do que muitos pensam, a meditação pode ser feita em pouco tempo. Ao passar de 10 a 15 minutos praticando, os funcionários já podem sentir seus benefícios.

Algumas empresas organizam suas turmas em horários estratégicos, algumas no início ou final do horário de almoço, outras no fim do expediente. Claro que você precisará avaliar a realidade da sua empresa e adequar a prática de acordo com a sua realidade.

Algumas pessoas me perguntam sobre periodicidade desses momentos, e isso também é livre, pode ser diária ou semanal. Mas claro, se a sua empresa precisa que os resultados surjam e permaneçam com a equipe, o importante é que ela seja feita com regularidade, de preferência no mesmo horário.

Simplicidade

Existem inúmeras práticas a serem utilizadas, para aprimorar e aprofundar a prática ainda mais, é importante ter a presença de um instrutor de qualidade e certificado dentro da empresa ou até mesmo programas e palestras de Mindfulness específicos para corporações.

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Outra dica importante que pode ajudar são os aplicativos com meditações guiadas, eles podem ajudar a tornar essa prática em um hábito.

Esses aplicativos oferecerão técnicas simples, como o foco total na respiração e no corpo. Existem também a prática focada em relaxamento, meditação ativa, meditação silenciosa, plena atenção aos detalhes, e muitas outras. Um aplicativo bem bacana e que você poderá utilizar gratuitamente para meditar é o Headspace.

Grandes Empresas que adotaram o Mindfulness

Facebook

Já há alguns anos, o fundador da rede social, Mark Zuckerberg, se reúne com outros fundadores de companhias de tecnologia da Califórnia em uma conferência chamada Wisdow 2.0.

Nela os especialistas discutem os benefícios da meditação na era digital. Entendendo a importância dessa prática, o Facebook oferece aulas de meditação aos seus funcionários como benefício. Os colaboradores que experimentaram a meditação afirmaram uma melhora significativa em sua qualidade de vida e em seu rendimento profissional.

Google

Uma das empresas que tem ditado tendências como o Google também não poderia ficar de fora dessa prática. Exercícios de mindfulness são realizados antes das reuniões ou no curso “Procure dentro de você” (um trocadilho com o próprio slogan da empresa).

A companhia conta com um responsável pelo treinamento no Vale do Silício, Chade-Meng Tan. Ele tem o objetivo de tornar os funcionários mais felizes e engajá-los para que produzam cada vez mais, por meio da meditação.

Apple

E já que estamos falando das grandes empresas de tecnologia, a Apple não poderia ficar de fora. O próprio Steve Jobs, como mencionado mais acima, já era um forte praticante da meditação mindfulness. Segundo ele, a técnica ajudava a clarear suas ideias e pensamentos.

Vivo

E para não dizer que só estamos falando de empresas de fora, no Brasil, temos algumas empresas que tem investido na meditação que tem conquistando um espaço cada vez maior. A Vivo é um exemplo que não ficou de fora: agora seus funcionários contam com uma sala exclusiva, especialmente criada para a prática do mindfulness.

Mead Johnson Nutrition

Há aproximadamente 2 anos, a empresa oferece um curso de meditação para os seus colaboradores. Ao total são 60 colaboradores que ficam alocados no Brasil e, desde então, mais de 50% deles (aproximadamente 42 colaboradores), incluíram os exercícios em sua rotina em duas pausas de 25 minutos pela manhã e à tarde.

A prática também foi implantada pelo seu presidente, Nestor Sequeiros, após ele morar na Ásia e observar os resultados da mindfulness nas fábricas de lá.

Goldman Sachs

O banco internacional de investimentos também oferece cursos, com profissionais especializados na meditação, para seus colaboradores. Para se ter uma ideia, a procura pelo serviço tem crescido tanto que muitos deles estão aguardando na fila para conseguirem se matricular em uma vaga!

Intel

Após as 19 sessões vivenciadas por aproximadamente 1.500 funcionários, os relatos não poderiam ser melhores. Dentre diversos fatores, foi destacado que o estresse diminuiu enquanto o contentamento entre os funcionários cresceu muito.

Essas grandes empresas enxergaram nessa prática uma possibilidade para, além de ampliar seus resultados, tornar as pessoas melhores e mais engajadas.

Em um experimento realizado pela Universidade de Virgínia levou voluntários para ficar 15 minutos sentados em uma sala sem fazer nada. Depois da experiência, 60% dos participantes afirmou que ficou muito desconfortável durante esses minutos.

As mesmas pessoas foram levadas para outra sala, na qual havia um botão (que quando apertado dava choque). Mais da metade das pessoas preferiram a sala com o botão (e o choque) em vez de simplesmente ficar 15 minutos em silêncio no ambiente.

Porque o “agora” ?

Para o idealizador Kabat-Zin a nossa consciência ou estado mental vive ansioso e prestamos atenção em projeções e pensamentos que muitas vezes nos levam para um tempo que não é o agora.

Quando lembramos de uma situação ruim na vida, não simplesmente temos a lembrança, nós temos a vivência biológica e fisiológica daquele momento. O cérebro não entende muito bem quando estamos vivendo algo realmente e quando estamos lembrando, portanto, lembrar de algo estressante é fazer com que o corpo seja bombardeado novamente por adrenalina e hormônios de estresse.

Pesquisadores de Harvard desenvolveram um aplicativo que de tempos em tempos emite um sinal sonoro que questiona ao usuário se ele está focado no agora. Os resultados mostraram que 47% do nosso tempo nós não estamos conectados com nossos atos – estamos no passado ou no futuro. Ao aplicar uma escala de felicidade nos usuários, eles perceberam que quanto menos a mente de alguém divaga, mais feliz essa pessoa é.

Você, assim como eu, já deve ter tido a experiência de vivenciar um momento ruim e estressante, como uma batida de carro por distração, um pneu furado no caminho do trabalho quando já estamos atrasados. Provavelmente, ficaremos por horas ou até o dia inteiro repassando aquele momento ruim na cabeça. Enquanto isso, o cérebro revive toda a sensação corpórea que ocorreu naquele primeiro momento de estresse – e geralmente não estamos conscientes disso.

Não é que não possamos mais falar da situação de estresse, mas a forma como a encaramos pode nos levar para um lugar de aprisionamento e ansiedade. Quanto menos mindfulness você for, menos você consegue se perceber e controlar, mais você ficará remoendo na sua cabeça a situação.

E para finalizar…

Podemos dizer então que mindfulness é a habilidade de estar mais aqui, no presente, do que em outro lugar, é trabalhar nossa mente , através da meditação, para sair do automático de simplesmente reagir e, assim, ser menos destrutivo consigo mesmo. A ciência chama isso de metacognição, que é a habilidade de pensar sobre o próprio pensamento e assim não se colar a ele.

E quando pensamos que as empresas e os negócios são construídos por pessoas, essa prática tem tudo a ver com mindfulness. Segundo a OMS a depressão é a segunda principal doença do mundo e até 2030 será a primeira. Depressão já é a doença que mais incapacita trabalhadores no mundo.

Mais do que tratar quem já apresenta transtornos é evitar que mais colaboradores o tenham, e a solução não será utilizar só ansiolíticos. O mindfulness é fundamental porque seus ganhos são diretos na saúde da mente.

E se você gostou deste artigo, aproveite para ler também sobre Inteligência Emocional no Trabalho e como capacitar os seus funcionários!

Sobre o autor

Isabel Holanda

Há mais 10 anos atuando na área de gestão de pessoas, atualmente, é gerente de conteúdo na Fortes Tecnologia. Graduada em Pedagogia pela UFC, com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Além disso, é palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

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