Como o RH pode criar campanhas contra a violência doméstica? Confira!

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As décadas passam, mas, infelizmente, alguns problemas sociais permanecem. Quando se trata de questão aparentemente sem solução, um dos exemplos mais emblemáticos é a violência doméstica. Aparentemente, isso se dá porque, afinal, existe, sim, algo a ser feito para combater esse mal que atinge muitas mulheres ao redor do mundo.

Um dos agentes que podem gerar uma boa contribuição nesse processo é justamente o RH da sua empresa. Por meio de um planejamento bem-elaborado, cuidadoso e sensível, o setor tem plenas condições de criar campanhas de conscientização e trazer o debate à tona. Assim, as colaboradoras se sentirão mais acolhidas e cientes desse indispensável suporte institucional.

Mas como fazer tudo isso acontecer na prática? Confira algumas dicas fundamentais na sequência!

Qual é o cenário de violência doméstica durante a pandemia?

Os índices de violência contra a mulher, especificamente no Brasil, nunca estiveram perto de desaparecer. Na verdade, eles exibem uma crescente que amplia ainda mais a urgência de se tomar medidas mais efetivas para eliminar esse sofrimento.

Só para ficar com dados de 2019, o ABSP (Anuário Brasileiro de Segurança Pública) informou que uma nova ocorrência de violência doméstica era registrada em intervalos de 2 minutos. Devido à necessidade e imposição do recente isolamento social derivado da pandemia da Covid-19, os números, como se previa, alcançaram níveis alarmantes.

Em um comparativo com março e abril de 2019, o crescimento dos casos de violência doméstica no Brasil, no mesmo período de 2020, chegou a 18% e 37,6%, respectivamente. Na esteira desses resultados, consta a elevação dos casos de feminicídio, que subiram mais de 22%, apenas em março e abril de 2020.

Diante de um cenário como esse, fica evidente que todas as alas da sociedade precisam mobilizar-se de um modo mais frequente e incisivo. Por conta de sua relevância e influência, as empresas são imprescindíveis para mudar a vista que se apresenta no horizonte. Veja como, a seguir!

Como o RH pode ajudar a melhorar esse quadro?

Existem diversas ações à disposição da área de recursos humanos das organizações que estejam determinadas a colaborar para o fim da cultura da violência doméstica. Para ajudar, nós selecionados as práticas de destaque atreladas à gestão de pessoas.

Realização de eventos sobre violência doméstica

Uma das primeiras coisas a serem feitas é, sem dúvida, mostrar que a organização se importa com o tema. Para tanto, basta pensar, junto às mulheres da empresa, a criação de uma agenda de eventos específicos. A partir desse ato inicial, a empresa passa não só a mensagem de que reconhece o problema, mas que igualmente está aberta para ouvir sobre ele.

Seriedade e criatividade são duas características vitais para que essas programações chamem a atenção de todos os funcionários, e não somente das funcionárias. Em poucas palavras, a organização e condução de toda a campanha, é claro, deve ficar a cargo delas. A participação, entretanto, é de todos — sobretudo dos homens.

Quanto aos eventos em si, uma excelente alternativa são as rodas de conversa. Diferentemente de um simpósio, por exemplo, a formação desses círculos propicia um ambiente mais intimista e aconchegante. Com as dinâmicas certas de interação, as mulheres tendem a se sentir mais à vontade para dizer o que pensam a respeito do assunto.

Outra opção que rende um bom impacto é a organização de um sarau temático. Por meio da recitação de poemas, canto, exposição de desenhos, pinturas ou fotografias, ou representação teatral, as colaboradoras podem expressar o que sentem de uma forma artística. Ainda no campo da arte, a exibição de filmes (selecionados a dedo) e o posterior debate ao término dela também devem ser levados em consideração.

Organização de palestras com especialistas

Vale destacar que uma campanha bem-sucedida contra a violência doméstica precisa ser versátil. Isso quer dizer que a mescla entre diferentes eventos é essencial para que todo mundo da empresa fique à par de informações detalhadas acerca do assunto.

Para isso, o RH requer contatar algumas especialistas que, por meio de abordagens de aspectos distintos, exponham visões abrangentes e enriquecedoras. A sequência de palestras e as ramificações de todas elas ficarão propensas a variar de acordo com a área de atuação de cada convidada.

Além de explorarem os dados mais recentes do atual período pandêmico, as palestrantes podem tratar de pontos psicológicos, notadamente os relacionamento abusivos. Como eles nem sempre ficam restritos à esfera psíquica, convém ter ao menos um encontro dedicado à identificação de padrões comportamentais e possíveis consequências. Ao mesmo tempo, é essencial apontar quais são as saídas disponíveis em cada tipo de situação.

Estruturação de programas de acolhimento

Por falar em saídas, também cabe ao RH criar um programa responsável por oferecer os mais diversificados canais de atendimento voltados às funcionárias vítimas de agressão doméstica. Neste exato momento, há vários desses programas acontecendo ao redor do mundo.

Para que realmente funcionem, eles precisam ser muito bem concebidos e executados. As empresas devem entender que, muitas vezes, o estado acentuado de medo da vítima faz com que ela se sinta insegura para relatar algo. Uma das maneiras de fazer isso é por intermédio de códigos, especialmente desenvolvidos para informar algum acontecimento mais ou menos grave.

Desse modo, mesmo que o agressor esteja no mesmo ambiente no instante do alerta, a mulher é estimulada a agir discretamente — na medida do possível. Existem sites de lojas que, em meio à divulgação de um produto, inserem botões interconectados com centrais de denúncia, como o 180, da Central de Atendimento à Mulher.

Disponibilizar canais de acolhimento em aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Instagram, também é imprescindível. O mesmo se refere à prestação de apoio psicológico para que as colaboradoras se sintam amparadas em todos os níveis. Isso é vital para melhorar a qualidade da saúde mental, tão abalada ultimamente, e, essencialmente, fornecer tratamento para os casos que envolvam depressão no trabalho.

Divulgação de canais de apoio contra a violência doméstica

Atualmente, o atendimento à mulher vítima de violência está expandido devido ao lançamento de duas plataformas digitais. Na prática, isso significa que o Disque 100 e o Ligue 180 passaram a operar concomitantemente com aplicativos, com o intuito de facilitar o contato das vítimas. As colaboradoras de qualquer empresa precisam estar cientes de todas as possibilidades de solicitação de ajuda.

Produção de materiais informativos sobre violência doméstica

A fim de diversificar as campanhas, vale a pena espalhar cartazes em locais estratégicos das dependências da empresa, que informem a existência dos canais de apoio mencionados há pouco. Afinal, o desenvolvimento de um superprograma de acolhimento será inócuo, caso ele não seja amplamente divulgado dentro da empresa.

No mesmo sentido, algum espaço dos folders de divulgação dos eventos de conscientização da violência contra a mulher deve ser usado para promover os canais de suporte corporativos em questão.

Basta observar os dados relativos à violência doméstica para constatar que o problema permanece grave e preocupante. Porém, a realização de campanhas regulares que promovam o compartilhamento do conhecimento e das experiências vivenciadas pelas mulheres pode, sim, fazer toda a diferença.

Com isso, o RH da sua empresa estimula o debate em torno do tema e, ao mesmo tempo, oferece os meios disponíveis para as eventuais denúncias. Dar à violência doméstica a relevância que o assunto exige é, por si só, uma atitude humanitária. Além disso, o enfoque aprofunda o endomarketing do público feminino da organização.

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