Gestão de pessoas

Gamificação nas empresas: estratégias de jogos para alcançar resultados

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Escrito por Isabel Holanda
Atualizado em: 18/02/2019 Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Muito bem, gamer, desafio você a ler esse texto até o último parágrafo e, no final, pensar em como você pode mudar sua organização, sua escola e sua comunidade através de um game! Claro que, se você parou para ler esse artigo, você gosta ou tem curiosidade sobre gamificação. E isso mesmo já irá começar com desafio e, se você conseguir, o premio final será conseguir resultados incríveis de quem está envolvido.

Eu começo te falando que essa estratégia já é bem mais antiga do que o que pensamos, ao contrário do que alguns acham gamificar rotinas ou atividades nas organizações não é um modismo contemporâneo. A utilização de elementos de design de jogos como estratégia utilizada em atividades corporativas, com o objetivo de causar mudança de comportamento de forma lúdica, já é utilizado há um bom tempo.

Essa é apenas uma das formas para melhorar o treinamento e desenvolvimento de pessoas. Ou seja, formas diferenciadas para alcançar resultados interessantes e tangíveis, investindo nas pessoas que compõem seu negócio, pois elas são as “peças-chave” para aumentar o lucro da sua empresa.

O que é gamificação e como se aplica?

Você pode até ser contra ou não ter opinião formada sobre o assunto. Pode ser mais conservador ou pensar igual a minha mãe quando diz que “os jogos são do mal e só fazem com que as pessoas fiquem alienadas”. Porém, o fato é que deixar atividades complexas (jogo) ou ditas “chatas”, criando níveis de entrega (fases) de forma lúdica para modificar comportamentos dos colaboradores (gamers), tem ganhado cada vez mais espaço, principalmente aqui no Brasil.

Pasme, a origem da “gamificação” vem de um programador e inventor britânico, Nick Pelling, ele criou esse termo em 2002. A ideia de Nick era trazer para o dia a dia, conceitos e estratégias do mundo dos games aplicadas a contextos do mundo real, deixando as atividades lúdicas e motivando as pessoas a resolverem problemas.

Mas só em 2010 que o termo ganhou força e passou a ser conhecido em todo o mundo. Algumas grandes empresas decidiram criar sistemas de conquistas e recompensas por meio de softwares. A princípio a ideia era criar maior interação entre seus consumidores.

Nike: um caso de sucesso em gamificação

As grandes organizações já entenderam que essa estratégia pode render-lhes muito dinheiro, seja na venda de produtos ou no atingimento de resultados desejados. Quem de nós conhece ou tem alguém que já utilizou um aplicativo de corrida, aqueles que controlam distância, batimentos cardíacos, quantidade de passos no dia, calorias, velocidade e por ai vai. Pois é, meus caros, a Nike lançou isso em 2008 e você se achava moderno.

Quando eles lançaram a Nike+ o objetivo era esse, gerar envolvimento com seus clientes. Após o lançamento em pouquíssimo tempo a companhia convenceu mais de 1,8 milhões de corredores a utilizarem seus produtos. Por meio de um sensor com tecnologia GPS e conectado ao Ipod, o usuário poderia controlar seus dados e se batesse seus próprios recordes eles ganhavam recompensas/pontos. Sem contar que os competidores poderiam acessar a loja da Nike online para ver sua performance e aproveitar alguns produtos em promoção. Exato, isso é gamificar os resultados de forma inteligente e gerar relacionamento com seu público.

Mas você deve esta pensando, tudo bem a Nike tem recursos e pode desenvolver seus próprios softwares para gerar essa interação. E se eu te falar que não precisa de muito para utilizar esse recurso em sua empresa, sua vida ou onde mais você queira utilizar! O processo é mais simples do que o que você acredita.

Como apliquei a gamificação no meu dia a dia?

Quando minha filha tinha 4 anos, queríamos muito modificar alguns comportamentos dela. Já havia tentado de todos os processos pedagógicos convencionais e não convencionais, coloquei de castigo, prometia presentes se ela cumprisse as tarefas que ela dava trabalho de fazer, tais como: dormir cedo, escovar os dentes, fazer as atividades de casa, concluir as tarefas como arrumar seus brinquedos. Coisas que uma criança precisa aprender desde cedo a fazer. Tudo isso durante vários dias tornava-se cansativo pra ela e principalmente para mim.

Foi dai que criamos um jogo, eu mesma desenhei em uma cartolina, representando uma espécie de “corrida de carros”, com uma pista feita de casinhas e com um ponto de partida e chegada. Cada atividade cumprida no dia ela avançava uma casa e no final da semana, se ela tivesse cruzado a linha de chegada poderia escolher uma experiência que poderia ser um dia na praia, tomar sorvete que ela gostava, dentre várias outras coisas. As atividades chatas passaram a ser lúdicas, e pra ela, virou brincadeira e perdeu o peso da obrigação em fazer. Isso mesmo, gamificamos por um tempo as obrigações dela!

Claro que isso tem objetivo e prazo. Não adianta fazer gamificação em tudo na vida, mas, nesta fase dela, foi de suma importância para modificarmos o comportamento que queríamos e para que ela introjetasse aquelas atividades diárias de forma leve.

Conheça também o novo conceito de perfil de liderança: o management 3.0. Uma série de mudanças podem ser percebidas com esse novo modelo de gestão. Saiba se está seguindo para esta nova forma de liderar ou se ainda dar tempo de seguir com esse novo conceito inspirador.

Conheça alguns dos objetivos da gamificação

É possível utilizar a gamificação para vários fins e em vários tipos de empresa:

Melhorar a saúde:

Empresas e entidades podem utilizar games nessa área para auxiliaram na contenção de custos, ajudar em programas de obesidade, melhorar quanto à diminuição do
tabagismo.

Na educação:

É utilizado no engajamento de estudantes associados a plataformas de e-learning. O aluno que completa a atividade ou a aula vai ganhando pontos.

Com políticas públicas:

Alguns órgãos utilizam games para incentivar melhorias na educação e para reforçar o exercício da cidadania.
Os jogos aplicados ao mundo corporativo precisam atender a alguns requisitos básicos utilizados pelos games para que possamos utilizá-lo de forma eficaz, tais como dinâmicas, mecânica e componentes.

A dinâmica

Dinâmica nesse processo você precisará pensar em um tipo de representação que demonstre as interações entre o jogador e as mecânicas do jogo, essas características irão te ajudar a compor os aspectos do quadro geral de uma gamificação.

A dinâmica poderá apresentar o “tom” que você quiser dar no jogo para o jogador/gamer. Os tipos são:

– Emoções: tipo de emoção que você despertar
– Narrativa: estrutura para deixar o jogo coerente e não precisa ser uma narrativa explicita como uma história
– Progressão: importante, pois dá ao jogar a sensação de que está avançando etapas no jogo
– Relacionamentos: como você vai gerir seus participantes, jogo entre competidores, amigos, etc
– Restrições: o que será permitido que o jogar faça no jogo

A mecânica

Mecânica é responsável por orientar o jogador no que ele pode ou não fazer dentro do jogo. Vários mecanismos podem estar incluídos em uma dinâmica como, por exemplo, feedback e recompensas , cooperação e competição e desafios são alguns exemplos da mecânica do jogo.

O componente

Componentes podemos explicar que são aplicações específicas visualizadas e utilizadas na interface do jogo. Os componentes tem o poder de ser a parte do jogo, digamos mais concreta, o organizador do jogo pode criar componentes como avatares ou conteúdos desbloqueados a partir do momento que o jogar ultrapassa um nível.

Um exemplo muito aplicado para isso é para jogos que querem motivar seus colaboradores a serem treinados com ferramentas e-learning, a partir do momento que ele consegue concluir um nível de formação ele consegue ter acesso a um material extra. Medalhas e Pontos também são muito utilizados em games corporativos.

Gamificação: a estrutura

Para deixar você com um gostinho de “quero saber mais”, separei uma síntese que você precisa preparar antes de montar qualquer game para sua equipe ou para a empresa. Confira
abaixo:

1. OBJETIVOS

O objetivo precisa estar muito claro para você e, principalmente, para os jogadores. Se você não conseguir definir com clareza essa etapa, você já queima sua largada e o seu jogo terá grande
probabilidade de não dar certo ou de não atingir o seu objetivo.

Pegando como exemplo o meu jogo quando eu criei para minha filha, o meu objetivo não era só fazer com que ela fizesse as tarefas dela, mas de que ela entendesse que era divertido e necessário fazer todas aquelas coisas (escovar os dentes, tomar banho, fazer as tarefas, arrumar as coisinhas dela).

2. PÚBLICO ALVO OU PERSONA

Quem serão seus jogadores? Seus clientes, colaboradores, sua filha? Que será sua(s) persona(s). Adapte a cada uma dela alinhado com seus objetivos!

3. SEGMENTO

O segmento ou área é a parte envolvida. Podem ser consideradas também como o tipo de atuação que você faz parte: colaborativa, vendas, produtividade, treinamentos.

4. DINÂMICA

Lembra que falamos dela um pouco mais acima!? Tente lembrar sem subir o texto. Se você acertar deixa um comentário aqui em nosso blog com seu email que te mandarei um prêmio.
Só não vale colar, essa é uma regra do nosso jogo!

5. MECÂNICA

Você precisará escolher com qual tipo de mecânica irá trabalhar se desafios, chance, cooperação, competição, vai precisar se preocupar em dar feedback para os jogadores apresentando a ele ou a todos os participantes o ranking dele no jogo. Aquisição de recursos, recompensas e vitória também precisarão fazer parte. Não dar pra pensar em um jogo que não possua vencedor.

6. COMPONENTE

O que o seu jogar poderá conquistar, avatares, moedas, subir de nível, desbloquear conteúdos? O que será a recompensa dele nos níveis em que for trilhando.

E, para encerrar, vou entregar a você uma “moeda de ouro”. Se você tiver chegado até o final deste artigo, você já ganhou 2 prêmios. Parabéns, pelo seu desempenho e perseverança, gamer!

Abaixo, deixo o link de um case brasileiro de empresa que trabalha com perfumaria e esta adotando games para estreitar mais ainda o seu relacionamento com seus clientes. Clique neste link e confira como eles tem feito essas e outras ações.

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Sobre o autor

Isabel Holanda

Há mais 10 anos atuando na área de gestão de pessoas, atualmente, é gerente de conteúdo na Fortes Tecnologia. Graduada em Pedagogia pela UFC, com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Além disso, é palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

2 comentários

  • Bem Interessante a matéria, mas no segmento da empresa em que eu trabalho é um pouco difícil de aplicar estes conhecimentos, pois é mais trabalho braçal, sem muita perspectiva, mas estou em busca de novas ideias.

    • Alessandra, e se eu te disse que em todo tipo de trabalho e empresa dá pra gameficar você acredita? Claro, algumas atividades precisam de uma analise maior para que não transformemos o “game” em canibalismo, tipo todo mundo querendo “destruir” o outro só pra ganhar. E outro fator crítico de sucesso é o apoio dessa implementação pelos socios e diretores e preparação do RH para aplicar e acompanhar. Lembrando que a gameficação é para engajar e aumentar resultados, jogar por jogar fazemos isso em casa. No ambiente empresarial e preciso ter em mente que tudo o que fazemos tem um propósito!
      Obrigada por seu comentário e se quiser trocar ideias estou aqui a seu dispor. Ah, já ia esquecendo de te deixar meu email , isabelholanda@fortestecnologia.com.br.
      Forte abraço pra você.

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