Gestão de pessoas

Felicidade Interna: conheça o novo indicador de crescimento para as empresas

A Fortes Tecnologia apresenta na imagem felicidade interna
Escrito por Isabel Holanda
Publicado em: 30/04/2019 Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Você já reparou a sua volta como as pessoas começam a trabalhar na segunda ou dependendo do local, como elas vêm trabalhar todos os dias ?

Em virtude da rotina das pessoas serem mais intensas, se desdobrando com trabalhos em casa sem muitas oportunidades de lazer, carga de cobranças associada a uma alta jornada de trabalho e um péssimo clima organizacional, muitos colaboradores podem adoecer, como também, não serem produtivos.

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Como melhorar a felicidade interna

Nos dias de hoje, a aparência da grande maioria das pessoas é tristonha e cansada. Claro que os gatilhos mentais pra isso podem ser vários, mas o que podemos fazer como empresa para melhorar o nível de “felicidade interna” nas empresas ?

Neste artigo falaremos um pouco sobre esse indicador, que a partir dos próximos anos será um dos maiores decisores quanto a produtividade da sua empresa. E você acha que não tem nada a ver ou não sabe como mensurar? Te convido a continuar nessa jornada comigo.

As mudanças que acontecem quase na velocidade da luz, tanto em relação a comportamentos quanto na economia tem feito pairar um vazio, face à enorme incerteza sobre o futuro.

O que motiva as pessoas a trabalharem?

Alguns nutrem por seus empregos um sentimento, velado ou não, de que estão trabalhando para me manter, pagar as contas e sustentar a família. Os motivos são vários, mas será que essa percepção atrelada a um ambiente de trabalho instável, não atrativo e sem engajar as pessoas tem a ver com o crescimento de sua empresa?

Sim, eu posso te afirmar que tem tudo a ver. Embora o FIO ou FIB – Felicidade Interna Bruta, como alguns conhecem, seja um indicador percebido como intangível e difícil de mensurar, ele tem sido o norteador e responsável por fazer com que as empresas que se preocupam e investem nisso, se tornem diferenciadas e cobiçadas pelos candidatos.

Verdadeiros líderes não sabem mais como agir e nem quais estratégias utilizar para alcançar os resultados tão almejados. Numa era de mudança, as estratégias utilizadas outrora não permitem alcançar os mesmos resultados e o receio instala-se.

O que é felicidade interna organizacional?

O conceito que conhecemos hoje começou por volta de 1972 em um pequeno país da Ásia chamado Butão. Os butaneses decidiram não trabalhar mais com o conceito de Produto Interno Bruto, mas sim Felicidade Interna Bruta.

Assim que o jovem rei desse país, Jigme Singye Wangchuck assumiu o cargo, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente, criou esse conceito que passou a ser utilizado por seu governo.

Ele acreditava que um país precisava se basear no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana, surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material estão em sintonia. Dessa forma ele acreditava de que o governo precisava se preocupar em 3 fundamentos:

  1. Equilíbrio
  2. Saúde
  3. Felicidade

Logo, os elementos utilizados pelo seu governo para mensurar a percepção e realidade das pessoas de sua nação fora 7 elementos: Bem estar econômico; Bem Estar Ambiental, Saúde Física, Saúde Mental, Satisfação no Trabalho, Felicidade Social e Bem Estar Político.

A avaliação é feita por um formulário com em média 80 perguntas. Quanto maior o número de respostas afirmativas maior o índice.

9 categorias para se trabalhar a Felicidade Interna Organizacional

Alguns autores falam sobre 9 categorias ou pilares para que se trabalhe a Felicidade Interna Organizacional ou Felicidade Interna Bruta dentro das organizações.

1) Bem-Estar Psicológico

Essa categoria avalia a satisfação e otimismo dos colaboradores em relação a sua própria vida. Podem ser percebidos ou mensurados por indicadores e questões que analisam percepção de competência, stress, autoestima e questões espirituais.

2) Saúde

É um indicador que tenta medir padrões comportamentais que envolvem a percepção de cuidado com a saúde. Compõe esse indicador a avaliação sobre frequência de exercícios físicos, qualidade do sono, hábitos alimentares, cuidado com o corpo, dentre outros.

Poderia ser avaliado também se a empresa oferece alguma atividade de bem-estar e com que frequência os colaboradores adoecem.

3) Uso do Tempo

Tem como objetivo mensurar, ou medir a quantidade de tempo que as pessoas dedicam para cada atividade de seu cotidiano e como essa priorização é feita. Podem compor esse indicador, o tempo investido no trabalho, nas atividades pessoais, no trânsito e etc. Tudo influencia!

4) Vitalidade comunitária

A sensação de acolhimento e qualidade das relações afetivas (pessoais e na empresa).

Também podemos medir nessa categoria, a percepção de segurança em casa e na comunidade desse indivíduo, como também na prática de alguma atividade voluntária para a comunidade.

Foi observado que pessoas que alimentam práticas de ajuda comunitária, conseguem se fortalecer e lidar melhor com as dificuldades, fortalecer esses laços ajuda a resistir melhor a crises.  Outra coisa que pode ser avaliada, a equipe está bem entrosada e sem conflitos?

5) Educação

Além de medir a questão do estudo formal e não formal, essa categoria tem como objetivo mensurar o nível de envolvimento na educação dos filhos e os tipos de valores que são repassados. Esse item vai muito além do conhecimento acadêmico e perpassa para as relações familiares e consciência ambiental.

6) Cultura

Pretende avaliar a participação em eventos culturais e as oportunidades de desenvolvimento das competências artísticas. A percepção individual sobre as questões de raça, cor e gênero podem entrar nessa categoria também. Nessa categoria você também pode perguntar se os profissionais amam o que fazem!

7) Meio Ambiente

Mede as interações do indivíduo com o meio ambiente e como se dá a percepção da qualidade dos recursos naturais, além de acesso a áreas verdes em comum. Para aplicação na empresa poderia ser levantado se o local de trabalho é apropriado ou pode ser melhorado.

8) Governação

Análise que tente a perpassar sobre o papel dos governantes, das relações das instituições públicas com os seus deveres e atribuições, e, de todos os mecanismos que compõem uma sociedade, tais como judiciário, imprensa, sistema eleitoral e nível de desenvolvimento das pessoas propiciado pelos seus governantes.

Para o formulário que será utilizada na empresa, você poderá perguntar se os profissionais sentem que têm voz ativa ou que apenas obedecem ordens?

9) Padrão de vida

Avalia renda, condições financeiras, nível de endividamento. Também avalia a qualidade de habitação, tempo para lazer e alimentação. Outra questão que pode ser avaliada, seria a percepção do tipo de remuneração aplicada pela empresa como os colaboradores percebem, se  é justa e competitiva com o mercado.

Quando falamos sobre o FIO – Felicidade Interna Organizacional,  podemos focar em promover 2 principais conceitos para promoção da felicidade organizacional que seriam: bem-estar psicológico e o uso do tempo.

Bem sabemos que estamos falando de conceitos e aspectos delicados de serem mensurados, mas as métricas e ações ficam mais “fáceis” de serem trabalhadas com números. Mas como trabalhar para melhorar o FIO se você não sabe o que o seu colaborador sente e pensa?

Ficar atento as questões que movem os colaboradores e seus eco sistemas, podem ajudar a construir essa tão desejada felicidade interna.  Afinal, profissionais mais alegres e contentes com a vida e com o trabalho, produzem mais. Quem faz uma empresa são todas as pessoas que trabalham para ela, do dono ao recepcionista. O ânimo (ou o desânimo) de um membro da equipe pode acabar contagiando a todos, um a um.

5 benefícios que a sua empresa pode ter com a FIO

Se você ainda não percebeu quais benefícios sua empresa tem com pessoas mais felizes trabalhando nela, te darei 5 motivos para que você já comece o quanto antes a trabalhar nessa “tal felicidade”.

1) Redução de índices de Turnover

Pessoas felizes duram mais em seus empregos, dão menos trabalho no tocante a posturas comportamentais contraproducentes, tais como ausências, faltas, atrasos.

2) Pessoas felizes rendem mais

Pesquisas apontam que pessoas felizes em seu ambiente de trabalho, rendem mais e são 12% mais produtivas, de acordo com pesquisa da Universidade de Warwick (Reino Unido).  Ter o trabalho reconhecido e a preocupação com o bem estar desses colaboradores faz toda diferença.

3) Compram ideias e buscam mais por soluções 

Experimenta “vender” uma ideia sobre a mudança de um processo ou a implantação de um novo projeto, que precisará mudar hábitos dos colaboradores que não estão bem. Muito provavelmente essa mudança poderá ter 2 efeitos rebotes:

1. Grande esforço e energia das lideranças para empurrar as pessoas ou

2. A mudança não sairá nem do papel, consciente ou inconscientemente essas mudanças serão sabotadas.

Pessoas felizes tem seu córtex cerebral mais suscetível a enxergar coisas positivas. Segundo o psicologo Joseph Le Doux, atuar no campo da emoção traz ao nosso cérebro um impulso neural que move um organismo para a ação, é um estado psico-fisiológico. Envolvem sistemas cerebrais filogeneticamente antigo, que evoluíram para controlar o corpo fisiológica e comportamentalmente em respostas a desafios ambientais.

3)  Mais a inovação

A grande questão que permeia as empresas em grande parte das atividades, é ter pessoas que pensem “fora da caixa”.

Essa competência tão importante para um período de mudanças constantes e rápidas, pode ter uma abertura maior com a promoção da felicidade e bem estar no ambiente de trabalho.

Tenho trabalhado esses últimos meses com minha equipe todas essas questões e quando você melhora o ambiente, o clima organizacional e entende a necessidade de seus colaboradores, as ideias encontram maior espaço para surgirem.

5) Colaboradores adoecem menos 

As condições do ambiente em que você expõem seus colaboradores ou das que você  trabalha podem sim, impactar negativamente a sua saúde física, cognitiva (aprendizagem) e emocional, que incluem desde questões físicas como  de cultura e atitudes de quem compõe a empresa.

Implementar esse tipo de olhar para saber como está a percepção de seus colaboradores quanto a esses pontos, não quer dizer que a sua Gestão de Pessoas ignore as questões de lucratividade da empresa, ao contrário disso, o que será implementado será um olhar de como fazer com que os colaboradores estejam felizes e com condições de renderem mais e melhor.

Experimente e comece a mensurar a sua Felicidade Interna Organizacional agora!

E aí, você gostou deste artigo? Aproveite para conferir neste outro que mostra o passo a passo para implementar o onboarding na sua empresa.

Sobre o autor

Isabel Holanda

Há mais 10 anos atuando na área de gestão de pessoas, atualmente, é gerente de conteúdo na Fortes Tecnologia. Graduada em Pedagogia pela UFC, com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Além disso, é palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

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