Gestão de pessoas

Depressão no trabalho: como identificar os sintomas e o que fazer

Fortes tecnologia apresenta depressão no trabalho
Escrito por Isabel Holanda
Publicado em: 31/10/2019 Tempo estimado de leitura: 11 minutos

Saber lidar com a carreira de maneira saudável nos dias de hoje, não tem sido uma tarefa fácil. E cada vez mais tem exigido dos profissionais uma capacidade de administrar bem o tempo, as relações, a pressão por resultados e o estresse que é ocasionado pelo dia a dia da rotina. Diante desse cenário, surgem algumas doenças que podem desencadear a depressão nos colaboradores, e por isso, separei alguns pontos que devem ser observados e algumas ações de como a empresa pode atuar para ajudar nessa situação.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que até 2020, a depressão será o 2º maior motivo de afastamento com a possibilidade de aumentar daqui a uma década. Por isso a importância de identificar e criar ações para evitar e ajudar os que sofrem desse mal.

O que é a depressão?

Antes de começarmos a falar sobre a definição do que é a depressão, eu gostaria de pontuar o que não é depressão. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não se trata de frescura ou falta do que fazer, nem falta de Deus ou um momento de angústia. Trata-se de uma das doenças mais perigosas e silenciosas que o nosso século já viu.

Segundo o CID 10-F33, a depressão é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração psiquiátrica crônica e recorrente que produz alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

Acredito que a principal campanha ou conscientização que precisaríamos realizar com as pessoas é o entendimento de como, fisiologicamente, essa doença altera a vontade de viver das pessoas.

Nem toda tristeza é depressão

Já começo esclarecendo que é de suma importância distinguirmos a tristeza patológica, daquela transitória provocada por algum acontecimento difícil e que fazem parte da vida de nós seres humanos, tais como: a morte de uma pessoa que amamos; perda de um emprego; traição de um namorado(a); morte de um bichinho de estimação; traição de um amigo e etc.

Tristeza momentânea

Todos esses eventos podem provocar tristezas que são naturalmente “absolvidas” com o tempo e fazem com que as pessoas sigam em frente mesmo que o peito ainda esteja sentindo.

A diferença é que, quando não há depressão, o cérebro consegue modular essa emoção negativa. Você pode estar triste, mas sabe que tem de ir trabalhar, toma um café, procura pensar coisas boas e segue adiante.

Se fizermos uma autoanálise ou analisarmos pessoas próximas a nós que já passaram por alguma situação citada acima, vamos perceber que sem a depressão, a tristeza vem seguida de uma superação.

Tristeza associada a depressão

Na depressão, a tristeza não cede e não importa o motivo, ela não dá trégua mesmo que não haja uma causa aparente. O primeiro a ser atingido é o humor que permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias, as vezes por meses ou anos.

O interesse pelas atividades que antes davam prazer já não significam mais, o indivíduo perde todas as perspectivas e a única coisa que ele quer é ficar quieto, no “escuro”, sozinho. Obviamente, esses sintomas vai depender bastante do grau de depressão em que ele enfrenta.

Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para o fato de que, até 2030, o distúrbio pode se tornar o mais comum do mundo inteiro, a depressão tem sido uma doença incapacitante que atinge por volta de 350 milhões de pessoas no mundo.

Os quadros variam de intensidade e duração e podem ser classificados em três diferentes graus: leves, moderados e graves. 

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

Fisiopatologia da Depressão

Fiz questão de tentar explicar de uma forma mais simples, como a depressão atua no cérebro. O objetivo foi fazer você entender que não adianta muito pedir para alguém se animar ou sair de casa, pois ela não vai conseguir. E não é por má vontade, ela apenas não consegue!

Vou tentar simplificar para que você entenda o que acontece, temos me nosso cérebro regiões que são responsáveis por emoções negativas.

Você já deve ter assistido o filme divertidamente, onde temos a representação dos sentimentos básicos (tristeza, alegria, raiva, nojo, medo). Pois bem, agora imagine o seu cérebro como uma cabine de comando sendo conduzida somente pela tristeza, a alegria já não consegue mais tomar a frente da situação.

Pronto, poderia parar por aqui que já daria para você entender, mas vamos ver a fisiopatologia real para que você saiba como acontece

O nosso cérebro utiliza muitos neurotransmissores, que são substâncias produzidas pelos neurônios para enviar informações para outras células. Os principais neurotransmissores envolvidos na depressão, são a serotonina e a noradrenalina. Quando há um desequilíbrio na produção delas, a doença se instala.

Entendendo que os neurônios precisam de neurotransmissores para se comunicar, o tratamento para depressão consiste em aumentar os neurotransmissores certos para que seja possível ajustar novamente a função desses neurônios.

Você também vai gostar destes conteúdos
📌 PDI: guia completo do Plano de Desenvolvimento Individual
📌 Cálculo de turnover: saiba se sua empresa está indo bem
📌 Employee Experience: 19 dicas para atrair e reter talentos

Existem causas genéticas para a doença?

Alguns estudos apontam que uma das causas para a doença, pode estar relacionada a genética. Estudos apontam que os genes que a pessoa carrega são responsáveis por 40% das chances de desenvolver a doença. O restante deste percentual é influenciado pelo ambiente e outros fatores externos.

Os fatores genéticos associados a causas externas, tais como, o estresse forte ou a perda de um ente querido podem desencadear sim a depressão. Um evento dessa magnitude pode desencadear o desequilíbrio dos neurotransmissores no cérebro.

Ao saber que depressão pode ter uma origem biológica, o doente não se culpa tanto, pois os amigos e familiares podem encarar a doença numa perspectiva mais solidária.

Entender e buscar ajuda são as principais ações que precisam ser tomadas. Procurar um psiquiatra, fazer terapia, dormir bem e praticar atividade física, fazem parte do tratamento para mitigar ou quem sabe eliminar o problema.

Como o ambiente de trabalho pode colaborar para a depressão?

O ambiente corporativo costuma exigir bastante da maioria dos profissionais, e as diversas demandas, projetos, prazos e decisões, podem fazer com que o indivíduo se sinta exausto e até mesmo ansioso mais do que deveria.

Vimos mais acima, que algumas pessoas podem trazer consigo causas genéticas, o que pode predispor esse individuo a estar mais suscetível a depressão, em um ambiente corporativo mais agressivo e que trabalha sob forte pressão.

Não que a empresa seja o único motivo para desenvolver esse tipo de doença em colaboradores, mas ela pode sim propiciar para que esse gatilho seja acionado.

Qual a participação do RH nesse processo?

O setor de RH, bem como todos os colaboradores e líderes, podem ter uma participação determinante na identificação e no auxílio ao tratamento contra a depressão no trabalho.

A valorização dos colaboradores e ações que promovam a desaceleração, podem ajudar bastante a lidar com o dia a dia exaustivo. Realizar programas de conscientização da doença e formas de como evitá-la, pode ser o início desse longo caminho.

Portanto, a saúde mental deve ser uma peça cada vez mais importante no quebra-cabeça de benefícios que uma organização tem a oferecer aos seus colaboradores.

E não pode ser só pelo motivo de que a humanização nas relações e a preocupação com a saúde emocional e física das pessoas podem ajudar nos índices de absenteísmo, engajamento e produtividade, mas porque mostra a preocupação genuína com a pessoa por trás do crachá.

Sintomas da depressão: como identificar

Entre as principais situações, estão as mudanças comportamentais dos seus colaboradores. Um dos fortes indícios é o desempenho, a presença e a forma como ele lida com os demais.

Como o RH não é Deus para ser “onipresente e estar em vários lugares ao mesmo tempo”, o setor deve criar mecanismos que afiram o desempenho e o acompanhamento. Com certeza se mensurado, será percebido pelos líderes um queda contínua ou brusca na performance de um colaborador.

Outra ação tão importante quanto uma avaliação de desempenho, é orientar a todos sobre a doença, para que todos possam ajudar a evitar e identificar características que possam levar a um agravamento.

Separei alguns dos sintomas mais comuns no ambiente de trabalho que podem ser percebidos nos colaboradores que podem estar desenvolvendo quadros depressivos:

  • cansaço excessivo;
  • insatisfação crônica, ou seja, nada está bom ou tem graça;
  • picos de alegria;
  • indecisão;
  • reclusão e introspecção;
  • irritabilidade;
  • agressividade;
  • dificuldade de concentração;
  • falta de motivação;
  • queda drástica na produtividade;
  • dificuldade nas relações com os colegas;
  • tristeza constante e profunda.

Vale ressaltar que é necessário a avaliação de um profissional, que ainda existe um tabu sobre a doença e que nem todos querem se abrir sobre seus problemas pessoais. Portanto, crie canais para que isso possa chegar à tona.

Capacite os gestores da empresa

Os gestores têm um papel fundamental em identificar e prevenir a depressão no trabalho.

Primeiramente, porque podem existir líderes tóxicos que ativam o gatilho ou porque são o contato mais próximo do profissional abalado psicologicamente. Além do fato de que, os líderes estão por dentro das mudanças abruptas de comportamento ou performance dos colaboradores.

Algumas pessoas me perguntam o que fazer para conscientizar as lideranças, e sempre respondo que o RH pode fazer um trabalho contínuo de esclarecimento e capacitação, como:

  • treinamentos sobre perfis comportamentais;
  • realizar feedback;
  • criar grupos que compartilham experiências;
  • estimular o diálogo aberto com todos sobre a importância e os cuidados com a saúde mental.

Com a educação a respeito das realidades sobre a depressão no trabalho, todos podem atuar na prevenção e ajudar quem sofre com essa doença.

Dicas para prevenir a depressão no trabalho

Prevenir a depressão no trabalho, depende de algumas ações que devem ser levadas a sério. Veja abaixo 3 dicas importantes e comece já a trabalhar na sua empresa.

1. Torne agradável o local de trabalho

Que tal transformar o ambiente em um local que estimule as vibrações positivas e as sensações relaxantes? Isso, pode ajudar na manutenção e bem-estar das pessoas.

Além disso, certifique-se de que não exista toxicidade no local de trabalho, como, assédios, bullyings e toda forma de intolerância que pode desencadear casos de depressão no trabalho.

Isso inclui a atenção à gestão e a maneira com a qual os líderes se relacionam com os profissionais. Afinal, o assédio pode vir também de quem cobra e demanda por resultados, e isso tende a evoluir para casos de distúrbios psicológicos, como o estresse, a ansiedade e a depressão.

2. Flexibilize a rotina

Uma boa maneira de combater a depressão no trabalho é a partir da criação de uma rotina mais flexível. Isso significa, por exemplo:

  • estabelecer um dia de home office por semana;
  • trabalhar com banco de horas, caso sua convenção coletiva permita;
  • desenvolver programas de bem-estar como momentos para mindfulness;
  • dias de convívio com a família;
  • prática de esportes.

Essas ações, embora pareçam meros detalhes na luta contra a depressão no trabalho, permitem o estabelecimento de uma cultura de valor ao profissional, principalmente, a intenção em buscar auxílio.

3. Ofereça ajuda especializada

Por fim, vale destacar que o RH tem sim, um papel elementar nessa identificação e auxílio contra a depressão no trabalho, mas o tratamento não é responsabilidade dos profissionais do setor.

Evite, portanto, transformar as conversas em sessões terapêuticas. O funcionário se abrir é um primeiro passo importante, mas o tratamento com profissionais qualificados, tende a ser a alternativa mais eficiente para que esse colaborador volte a ter uma vida mais saudável.

Espero que essas dicas tenha te ajudado, e se não existe em sua empresa momentos para trabalhar esse tema, os crie. As tendências para a realidade que nos aguarda no futuro, podem ser mudadas a partir das nossas ações e do olhar ao outro que oferecemos.

Aproveite para assistir nosso webinar – Depressão no Trabalho: como os líderes podem lidar com essa doença – e entenda mais do assunto comigo e a psicóloga Renata Farias.

Até mais!

Depressão no trabalho: como identificar os sintomas e o que fazer 1Powered by Rock Convert

Sobre o autor

Isabel Holanda

Há mais 10 anos atuando na área de gestão de pessoas, atualmente, é gerente de conteúdo na Fortes Tecnologia. Graduada em Pedagogia pela UFC, com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicopedagogia e Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC). Além disso, é palestrante de temas relacionados aos subsistemas de RH com foco em liderança e desenvolvimento de equipes.

Deixar comentário.

Compartilhar