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Conheça os 4 tipos de contribuições destinadas aos Sindicatos

Conheça os 4 tipos de contribuições destinadas aos Sindicatos 1
Atualizado em: 05/09/2019 Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Com certeza você já deve ter se confundido muito com as diversas nomenclaturas dadas as contribuições destinadas aos sindicatos: contribuição sindical, contribuição confederativa, contribuição assistencial, taxa assistencial, contribuição associativa, mensalidade sindical. Ufa! Difícil não confundir mesmo.

Além de entender essas diferenças, é importante entendermos também se essas contribuições são obrigatórias ou não. Então, o meu objetivo nesta matéria é fazer com você entenda mais sobre as contribuições destinadas aos sindicatos.

Você que é trabalhador, principalmente, precisa saber o que está sendo descontado do seu salário. O objetivo é ter a certeza de que este desconto é realmente devido.

Bom, vamos então ao que interessa, mas antes vamos entender a diferença entre Sindicato, Federação e Confederação, pois isso vai facilitar a compreensão da nossa matéria.

Não esqueça que é importante entender também a diferença entre acordo, dissídio e convenção coletiva de trabalho.

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Organização Sindical

Sindicato

É uma associação de indivíduos onde pessoas se reúnem em defesa de interesses classistas, profissionais ou econômicos. Vale lembrar que não é apenas os trabalhadores que podem ser representados por um sindicato, mas também os empresários.

Como exemplo de sindicato que representa os trabalhadores, poderíamos citar o Sindicato do Comércio, Construção civil, etc.

Já do lado dos empresários, temos, por exemplo, os sindicatos associados a Fecomércio.

É importante ressaltar que legalmente só pode existir um sindicato de determinada categoria por município, previsto no artigo 8º, II, da CF.

Federação

Segundo o art. 534 da CLT, é facultado aos sindicatos, quando em número não inferior a 5 (cinco), desde que representem a maioria absoluta de um grupo de atividades ou profissões idênticas, similares ou conexas, organizarem-se em federação.

Em resumo, é a união de 5 ou mais sindicados em âmbito nacional e o objetivo nada mais é do que o fortalecimento da categoria.

Confederação

Perceba que temos uma pirâmide na organização sindical. E quem fica no topo? As confederações, claro.

Segundo o art. 535 da CLT, as confederações organizar-se-ão com o mínimo de três federações e terão sede na Capital da República.

Estando considerada em âmbito nacional, as confederações precisam estar situadas em Brasília e assim como nos demais casos, um dos objetivos é o fortalecimento da categoria.

Contribuições destinadas aos sindicatos

Bom, já entendemos um pouco mais sobre a organização sindical, agora vamos às contribuições destinadas aos sindicatos.

Contribuição Confederativa

A primeira contribuição destinada aos sindicatos é a Contribuição Confederativa. Ela tem como objetivo o custeio do sistema confederativo e está prevista no art. 8° inciso IV da CF. O valor da contribuição confederativa é fixado em assembleia geral e descontada em folha de pagamento.

Contribuição Assistencial

A contribuição assistencial, também conhecida como taxa assistencial, se destina a custeio das atividades assistenciais como, por exemplo, a participação nas negociações coletivas na busca de melhores condições de trabalho.

Está prevista no art. 513 da CLT, mas deve ser objeto de acordo ou convenção coletiva.

Contribuição Associativa

Também conhecida como mensalidade sindical, ela está prevista alínea “b”, do Art. 548 da CLT. Esta contribuição é descontada dos que optam por filiar-se ao sindicato e tem por objetivo a manutenção dos serviços oferecidos a seus associados.

Contribuição Sindical

Das contribuições destinadas aos sindicatos, esta é a última que vou abordar aqui. Ela está prevista no art 149 da Constituição Federal e também nos artigos 578, 579, 582, 583, 602 da lei 13.467/17 e é descontado, geralmente, no mês de março na folha dos trabalhadores que participam de categorias econômicas, profissionais e profissões liberais.

Lembrando que com a reforma trabalhista esse desconto só deve ocorrer com a autorização expressa do trabalhador e  como isso vem gerando muita polêmica preparamos uma matéria falando tudo sobre a obrigatoriedade ou não do desconto da contribuição sindical.

Agora que conhecemos mais sobre a organização sindical e suas contribuições, a pergunta que não quer calar é:

Estas contribuições são obrigatórias?

Bem, para responder esta pergunta, é importante conhecermos o princípio da livre associação expresso no art. 5° inciso XX da CF.

XX – ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.

Logo, todas as contribuições são facultativas, inclusive a sindical que antes da reforma trabalhista era obrigatória, ou seja, ninguém será obrigado a associar-se ao sindicato, logo, não poderá haver nenhum tipo de desconto em folha referente a estas contribuições sem a devida autorização do trabalhador.

Abaixo, temos o posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho e Supremo Tribunal Federal acerca da ilegalidade de tais descontos.

Precedente normativo 119 do TST:

“A Constituição da República, em seus arts. 5º, XX e 8º, V, assegura o direito de livre associação e sindicalização. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo, convenção coletiva ou sentença normativa, estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de devolução os valores irregularmente descontados.”

Súmula Nº 666 do STF:

“A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV da constituição, só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.”

Deixando a linguagem jurídica de lado, o poder judiciário apenas reforça que qualquer desconto sem a autorização do trabalhador é ilegal.

Curtiu nosso conteúdo? Espero ter ajudado a esclarecer suas dúvidas a respeito da contribuição sindical a fim de repassar informações corretas aos seus colaboradores. Continue acompanhando o nosso blog e se ficou alguma dúvida, você já sabe! Só colocar aqui nos comentários.

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Sobre o autor

Patrícia Capistrano

Há 14 anos na área trabalhista, atualmente como Consultora de Relacionamento da Fortes Tecnologia, membro da Comissão de Normas Técnicas Aplicadas às Áreas Trabalhistas e Previdenciária do CRC-CE, graduanda em Direito pela FANOR. Atuou como consultora e coordenadora no suporte de gestão de pessoas da Fortes Tecnologia. É instrutora e palestrante do Programa de Apoio ao Estudante (PAE); Fortes na Prática (FNP); professora da Fortes Treinamentos e Simples Treinamentos com cursos voltados para área trabalhista e atualmente é destaque com palestras sobre eSocial e Reforma Trabalhista em diversas regiões do País.

1 comentário

  • Nossa, muitíssimo obrigada!! Estou no terceiro ano de Direito e não estava entendendo nada da matéria. Ficou objetivo e claro. Parabéns pelo trabalho!!

    • Olá Andressa,

      Fico muito feliz em saber que matéria te ajudou. O curso de Direito é difícil, mas no final dá tudo certo 😉

      Boa sorte!

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