Gestão financeira

Balanço Patrimonial: o que não pode faltar na sua análise?

Escrito por Fortes Tecnologia

O balanço patrimonial é como uma fotografia em alta resolução da situação financeira da empresa em um determinado período. Ele é uma demonstração contábil que apresenta uma posição estática do patrimônio de uma companhia e evidência com muita clareza o seu desempenho.

Mais abrangente e esclarecedor que um fluxo de caixa, a elaboração de um Balanço Patrimonial é obrigatório por lei para quase todas empresas brasileiras, com exceção de microempresas, microempreendedores individuais e empresários rurais. Mas mesmo quem não é obrigado a fazer um balanço patrimonial pode extrair benefícios significativos dele.

Neste artigo, explicaremos melhor a importância do balanço patrimonial, como ele é feito e o que não pode faltar na análise desse documento. Boa leitura!

Como é feito o balanço patrimonial?

No balanço patrimonial, são descritas todas as contas de uma empresa, dividida em ativos, passivos e patrimônio líquido. A principal referência para a construção do Balanço Patrimonial é o registro dos fatos contábeis, que são todas as entradas e saídas de recursos da empresa. Esses dados estão escriturados no livro diário, onde são registradas todas as movimentações da organização.

O documento é feito periodicamente por um profissional contabilista e segue uma formatação padrão, em que os ativos ficam listados no lado esquerdo do relatório e os passivos e patrimônio líquido na direita. Atualmente, boa parte dos contadores elabora esse relatório com o suporte de um software especializado.

  • Ativos circulantes  e não circulantes: 

Os ativos são os bens e direitos de uma empresa. Eles são divididos em dois grupos maiores, o circulante e o não circulante. O ativo circulante inclui o caixa em dinheiro da empresa, aplicações financeiras de curto, recebíveis e estoque.

Já o ativo não-circulante são valores que a empresa receberá no longo prazo e investimentos, além do ativo imobilizado, que são bens como veículos, imóveis e terrenos; e do ativo intangível, que são marcas e outras propriedades intelectuais. Os valores são agrupados em contas e preferencialmente listados em ordem decrescente do grau de liquidez.

  • Passivo circulante e não circulantes:

O passivo também é dividido em circulante e não circulante no balanço patrimonial. Todo tipo de obrigação financeira da empresa entra nessa categoria, com responsabilidades trabalhistas, impostos, pagamentos de fornecedores e dívidas contraídas com instituições financeiras.

O passivo circulante se refere às obrigações que devem ser pagas em até um ano, enquanto o não-circulante são as com prazos maiores. As contas são listadas na ordem decrescente de exigibilidade.

E também ao lado direito, mas abaixo dos passivos, fica o patrimônio líquido da empresa, que são os recursos investidos pelos sócios e as reservas de capitais.

Um exemplo de balanço patrimonial

Para compreender melhor esse documento, vale a pena visualizar um exemplo do padrão utilizado na maior parte das empresas. Veja:

Ativo Passivo
Circulante Circulante
Caixa  R$ 50.000 Fornecedores R$ 50.000
Contas a receber R$ 550.000 Salários R$ 250.000
Estoques R$ 100.000 Aluguéis R$ 200.000
Total circulante:  R$ 700.000 Total circulante: R$ 500.000
   
Não-circulante Não-circulante
Imobilizado R$ 1.500.000 Financiamentos de LP  R$ 1.000.000
Propriedades intelectuais R$ 300.000 Total não-circulante: R$ 1.000.000
Total do permanente: R$ 1.800.000  
  Patrimônio líquido:
Capital social R$ 550.000
Reservas de reavaliação R$ 50.000
Reservas de Lucro R$ 50.000
Lucro acumulado R$ 350.000
Total do patrimônio líquido: R$ 1.000.000
 
Total do Ativo: R$ 2.500.000 Total do Passivo:  R$ 2.500.000

Neste modelo, foram utilizados valores simplificados para fins didáticos, mas ainda assim é possível enxergar como cada conta é descrita no documento e a maneira que ele é estruturado, seguindo as regras detalhadas no tópico anterior.

Por que o balanço patrimonial é exigido?

Quando uma empresa descumpre a regra e não faz o balanço patrimonial, ela fica impossibilitada de utilizar esse documento como prova de defesa em processos tributários, fragilizando qualquer estratégia jurídica nessa área.

Além disso, também não pode distribuir lucros isentos acima da presunção, pois não há forma de evidenciar esse lucro. A presunção limita os lucros para até 8% do faturamento em indústria e comércio e 32% nos serviços.

Por fim, sem o Balanço Patrimonial a empresa não pode entrar com um requerimento de recuperação judicial. E, apesar de não estar diretamente relacionado a legislação, é importante destacar que sem um balanço patrimonial uma eventual saída de um sócio pode ser uma operação bem mais complicada.

Como analisar o balanço patrimonial?

O balanço patrimonial, assim como outras demonstrações contábeis como a DRE ou a DFC, é muito mais que uma obrigação legal. Ele é um documento que coloca em evidência a situação patrimonial de uma empresa e pode ser bem mais esclarecedor que um indicador simples como o lucro ou a receita total.

Para realizar uma análise do balanço patrimonial, o primeiro passo é entender o seu formato e estrutura. Um gestor que tenha conhecimentos em contabilidade não terá dificuldades em decifrar os dados mais importantes do Balanço Patrimonial, mas é sempre recomendável realizar a análise com o suporte do contador que elaborou o relatório para evitar qualquer tipo de interpretação equivocada.

Uma vez que o documento esteja claro, é possível extrair dele indicadores valiosos que vão entregar uma visualização exata da situação de uma empresa. Os principais indicadores que podem ser calculados são indicadores de rentabilidade, de liquidez e de endividamento.

Indicadores de rentabilidade

Indicadores de rentabilidade são aqueles que revelam se o negócio efetivamente paga o seu investimento ou não. Os indicadores de rentabilidade mais importantes são:

  • Retorno sobre ativos, calculado com divisão do lucro líquido pelo ativo total;

  • Retorno sobre patrimônio líquido, que é o lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido;

  • Giro de ativos, que é a divisão da receita das vendas pelo total dos ativos.

Indicadores de endividamento

Já os indicadores de endividamento são os valores que poderão indicar a situação da empresa em relação às obrigações junto às instituições financeiras e outros credores. Os melhores exemplos aqui são:

  • Endividamento geral, a divisão de todo o passivo por todo o ativo;

  • Grau do endividamento, que é obtido a partir da divisão de passivo por patrimônio líquido.

Indicadores de liquidez

Por fim, os indicadores de liquidez são os que demonstram os recursos de fácil acesso da empresa e a sua capacidade em gerar liquidez. Os principais indicadores são:

  • Liquidez imediata, a divisão dos recursos disponíveis de alta liquidez como o dinheiro em caixa, pelos passivos circulantes;

  • Liquidez geral, que é a soma de ativos circulantes e realizáveis a longo prazo dividida pela soma entre passivos circulantes e exigíveis no longo prazo;

  • Liquidez corrente, que é a simples divisão de ativo circulante pelo passivo circulante.

Todos esses indicadores podem ser extraídos de uma análise do balanço patrimonial e todos são importantes para que a gestão tenha uma visão bem mais precisa dos seus resultados financeiros, potencial de investimento e o caminho que a empresa está tomando. Muitos dos softwares de contabilidade hoje ajudam a calcular esses indicadores e organizar melhor as informações que serão analisadas.

Balanço patrimonial como visão financeira universal

Além da análise desses indicadores, uma análise das fontes e aplicações de recursos da empresa também é fundamental. É com a visão que será obtida com ela que um gestor poderá visualizar se a rentabilidade atual é o bastante para cobrir as suas despesas planejadas e se é necessário recorrer ao crédito para, por exemplo, obter capital de giro.

O balanço patrimonial também é um documento que pode auxiliar em uma análise sobre a maturação dos investimentos. Com essa demonstração contábil, é possível entender com bem mais clareza se ainda vale a pena direcionar recursos para um investimento e como ele impacta nas finanças como um todo.

E para você que agora domina o balanço patrimonial e sua análise, que tal ler também nosso artigo sobre como a experiência do cliente no escritório de contabilidade ajuda a conquistar novos contratos? Esperamos você!

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